O Único Deus Trino

O Único Deus Trino
Deus é comunhão não solidão (Papa Francisco)

 

No Antigo Testamentotemos “insights” da doutrina no Velho Testamento, por exemplo, em nomes e termos que apresentam um conceito plural:

- Elohim; Adonai: é inegável que os termos estão no plural; o singular seria Eloá e Adon. A questão porém, que o termo plural quando aplicado a Deus, teria a ideia de majestade, no sentido de respeito a autoridade divina. No português o plural expressa quantidade, enquanto que no hebraico ele pode expressar qualidade. Isso seria uma explicação satisfatória, porém há um problema com isso, quando Moises escreveu Gênesis, não havia esse recurso linguístico. Historicamente é difícil dizer em que momento o recurso começou a ser usado, mas estudiosos afirmam que foi em algum momento no século IV durante o Império Bizantino. Outros porém, como Genesius, afirmam que os termos Elohim e Adonai são exemplos do uso do plural majestático na Torá. Um estudioso que contesta isso, foi o judeu convertido ao cristianismo C.W.H. Pauli, ele afirma que Genesius cometeu um erro ao afirmar que os termos são usados como plural majestático, ao longo do Tanach, reis usavam o pronome “eu” como por exemplo: Gn 41.41 e Dn 3.29 mostra Pauli. Outros exemplos, Gn 29.26-27 onde Labão falando como Jacó usa o pronome “nós” quando se refere ao costume de dar a mais velha primeira, e no final, usa o pronome “eu” para falar de si próprio. Mais um exemplo, 1 Rs 12.9, Roboão rei de Israel usa o pronome “Nós” para falar dele e dos seus conselheiros. Assim sendo quando o pronome “nós” é usado por autoridades na Bíblia, é porque tem mais de um falando. Muitos argumentam, que no caso de Deus, quando ele usa o pronome “nós” (Gn 1.26; 3.22; 11.7) ele estaria falando com os anjos. Essa interpretação porém, é problemática, pois seria como se o Todo poderoso tivesse tendo conselho com sua criaturas, o que seria contraditório com sua natureza perfeita Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão”? (Is 40.14), seria inclusive contraditório, pois a mesma escritura diz que Deus encontrou loucura nos anjos Jó 4.17; isso obviamente tem  haver com a perfeição de Deus comparada à de suas criaturas. Portanto, se o argumento do plural majestático não funciona, por ser anacrônico, e a dos anjos também não, por ser incoerente com a perfeição de Deus, então como entender o uso do plural e dos termos Elohim e Adonai aplicados a Deus?

A doutrina da trindade defendida pelo cristianismo ortodoxo responde essa questão satisfatoriamente. A fala de Deus no plural, é a perfeita comunhão das pessoas divinas confabulando entre si nas decisões importantes da historia. Os três momentos em que Deus fala no plural são: na criação do homem (Gn 1.26); na proibição do homem comer da arvore da vida (Gn 3.22); e na confusão das línguas (Gn 11.7), talvez Is 6.8 possa ser colocado como uma quarta referência.

- A relação do numero três com Deus: Antitrinitarianos afirmam que se Deus é mais de uma  pessoa, então como saber se não são dois ou quatro, por que três? Temos ao longo do Antigo Testamento, e obviamente no Novo, uma curiosa relação do número três com o ser divino. Alguns exemplos:

- Gênesis 18.2: A aparição tríplice dos anjos. Isso não significa que era a trindade ali, mas como representantes divinos a quantidade de anjos é significativa.

- Números 6. 24-26: Na benção sacerdotal o sagrado nome é repetido três vezes.

- Isaias 6. 3: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos” (comp. Ap 4.8). Segundo o Dr. Russel Champlim não existia grau superlativo no hebraico, como no português existe “santíssimo”, porém a pergunta é: por que repetir três vezes e não duas ou quatro vezes?

-A manifestação tríplice de Deus: Se lermos o Antigo Testamento com atenção, poderemos observar uma tríplice manifestação divina, são elas: a Palavra de Deus, o Espirito de Deus e o Anjo do Senhor. A palavra é o veículo pelo qual Deus se dá a conhecer, a expressão “Veio a palavra do Senhor a …” é frequente nas páginas da primeira aliança. Além disso, a ela é atribuída a criação do universo (Sl 33.6). Intimamente associado a palavra temos o Espirito, que também é agente criador de Deus (Gn 1.2; Jó 26.13). Percebam que os dois agentes são apresentados quase sempre de forma impessoal na antiga aliança, na nova porém, eles ganham identidade, a palavra é Cristo, e o Espirito Santo é o Paráclito, o outro consolador.
O Anjo do Senhor é uma teofania divina quase todos estudiosos concordam, alguns exemplos de que o referido anjo é mais do que um anjo comum: Gênesis 22.12 “Não me negaste teu único filho” lembrando que nos versículos 1 e 2 o texto diz que foi Deus que pediu o sacrifícios de Isaque e o vers. 12 o Anjo diz que foi ele. Depois no vers. 15 em diante, o texto introduz novamente o Anjo do Senhor colocando ele como Deus falando. Mais adiante, em Gênesis, Jacó abençoando os filhos de José, Efraim e Manassés, associa o Anjo com Deus veja os versos 15 e 16 do capitulo 48 “O Deus em cuja presença…” “O Deus que me sustentou...” e no vers. 16, “O Anjo que me tem livrado”. Um Rabino chamado Mair ben Gabai (1480-1540), disse sobre essa passagem que o Anjo mencionando por Jacó não é uma anjo criado, ele argumenta pelo uso da expressão: “Abençoe esses rapazes” Jacó não iria pedir a benção de uma criatura. No capitulo 31.11,13 o Anjo diz a Jacó que ele é o “Deus de Betel”. Há outros notáveis exemplos de que esse anjo era uma manifestação divina. Alguém pode argumentar que há outros tipos de manifestações divinas na antiga aliança, como por exemplo um redemoinho Jó 38.1; na coluna de fogo e na nuvem Ex 13.21-22, o que aumentaria o número de manifestações divinas, porém, as três mencionadas antes, a Palavra, o Espirito e o Anjo, estão intimamente relacionadas a Deus, pelo uso do termo “do Senhor” ou “de Deus” ou seja, essas manifestações procedem de Deus e as vezes são confundidas com ele mesmo.

O Conceito Trinitáriano não Contradiz a Unidade Divina

O que apresentamos até agora não entra em choque com que o próprio Deus diz em Dt. 6.4: “Ouve ó Israel o Senhor teu Deus é único Senhor”? Esse texto é uma das declarações mais importantes da religião judaica; ele serviu de anteparo a toda forma de idolatria que cercava a nação de Israel nos tempos bíblicos. No capitulo anterior o Senhor relembrou os dez mandamentos à nação dos quais, os dois primeiros estão diretamente relacionados ao verdadeiro culto a Deus “Não terás outros deuses” e “Não farás para ti imagem de escultura”. (Dt 5.6-7). Javé não divide sua gloria com ninguém (Is 42.8), pois além dele, não há outro (Is 43.10). Essas verdades são incontestáveis e nenhum cristão nega elas, todavia o que um cristão trinitariano afirma, é que a unicidade de Deus é compatível com a triunidade; e os textos citados não negam isso. Primeiramente o “Shema” que afirma peremptóriamente que Deus é um só Senhor, é compatível com um Deus que subsiste em três pessoas. A palavra “Echad” (um só) é usada em outros contextos para unidades compostas, por exemplo, Gn 2.24 diz: “Uma só carne” (echad basar); também Gn 11.6 “O povo é um”; Ez 37.19, prometendo que Israel seria um só, também Is 51.2 Abraão e Sara como um. Todos esses textos usam a palavra echad, que nas bíblias em português é traduzida como “um”. Em todas elas todavia, a ideia é de unidade composta, ou pelo menos, a ideia de unidade de propósito. Lembrando que na passagem, a palavra Elohim está presente, e como vimos antes, ela é um termo plural.

No Novo Testamento - O que estava latente no Velho se torna patente no Novo. Deus se revela em três pessoas. A pergunta: chegaríamos a conclusão da triunidade de Deus apenas com o Velho Testamento? Eu não diria que sim e nem que não, na verdade ninguém sabe. Se eu dissesse que sim, teria o problema de não ter Cristo encarnado, e portanto, seria muito difícil chegar a mesma conclusão que um cristão ortodoxo tem acerca da trindade. Agora se eu dissesse que não, contra isso teria as referências dada pelo judaísmo do início dos primeiros séculos d.C de que havia nessa religião uma crença semelhante à crença cristã da trindade. Isso pode ser chocante para quem ler isso pela primeira vez, mas sim, havia no judaísmo antigo algo que pode ser comparado a doutrina da trindade (vide o livro The great mistery: how can three be one; Rabbi Tzvi Nassi ). Para um trinitariano duas verdades são fundamentais para se chegar a conclusão da triunidade divina. 1- Jesus Cristo é Deus, na verdadeira acepção da palavra; 2- O Espirito Santo é dotado de personalidade. Superado essas duas verdades, a conclusão é lógica, não é necessário um texto prova que demonstre a doutrina. Antitrinitarianos negam as duas, na primeira, alguns reconhecem a deidade de Cristo, porém reduzem-na a uma divindade derivada e não auto suficiente como à do próprio Pai. No caso da segunda, os antitrinitarianos negam completamente a personalidade do Espirito Santo, mas curiosamente, não negam a divindade; é como se o Espirito fosse a própria divindade de Deus em ação, mas destituído de autoconsciência. São essas duas diferenças que separam o cristianismo ortodoxo dos movimentos heterodoxos na crença trinitária. Vejam a lógica, se você admite que Cristo é Deus e que o Espirito Santo é pessoal restariam dois caminhos, Ou temos três deuses, ou temos um Deus que é três pessoas. A primeira possibilidade entraria em choque com vários textos que afirmam a unidade divina (p.e. Dt 6.4); consequentemente a conclusão é a que é posta pela doutrina da trindade: Um Deus em três pessoas.


A Divindade do Filho

A divindade do filho é amplamente apresentada no N. T. Vou apresentar alguns textos que mostram isso de forma direta e outros que mostram de forma indireta (aqui no blog há um estudo específico sobre a deidade de Cristo)

- Forma direta – Jo. 1.1; 20.28; Fp 2.6; Cl 1. 15-17; Tt 2.13; Hb 1.3; 2 Pe 1.1; 1 Jo 5.20. Todos esses textos declaram a deidade de Jesus Cristo, os antitrinitarianos entendem todos esses textos de maneira diferente, mas o cristianismo ortodoxo, em todas suas tradições, viu neles uma clara e inequívoca declaração da suprema deidade do filho.

- Forma indireta – Neste caso, o texto bíblico deixa implícito a plena deidade do filho, vamos analisar alguns casos:

- O Senhor do sábado (Mt 12.8; Mc 2.28; Lc 6.5) compare com: (Ex 31.13; Ez 20.12). O Senhor Deus chama o sábado de “Meu” nos textos da antiga aliança e todos os antitrinitarianos afirmam que é o Pai que fala ali, no entanto, nos textos do N.T. o Senhor do sábado é Cristo. Aqui temos um impasse, se Deus é o dono do sábado e Cristo afirma que ele é o Senhor do sábado, então temos três possibilidade:
1- Deus é o verdadeiro Senhor do sábado, mas entregou a autoridade do mesmo a Cristo;
2- Deus e Cristo são a mesma pessoa;
3- Deus e Cristo tem a mesma autoridade e ambos são Senhores do sábado.

Contra a primeira possibilidade, temos a ausência de uma declaração de Cristo de que o senhorio dele sobre o sábado é recebido e não inato. É verdade que em outros momentos Cristo declara que recebeu do Pai determinada função (Jo 10.18), mas notem a diferença, no caso do sábado, Cristo como co-criador de todas as coisas (Jo 1.3), é tão Senhor como o Pai, por isso ele fala de uma autoridade inata; nos casos em que ele afirma que recebeu do pai determinada coisa, ele refere-se a sua missão redentora na qual ele temporalmente está subordinado ao Pai; um detalhe interessante é que Jesus diz que é Senhor do sábado antes de dizer que recebeu toda a autoridade no céu e na terra (Mt 28.18). No segundo caso, teríamos que admitir o unicismo que declara que o Pai o Filho e o Espirito são a mesma pessoa. Porém, contra isso todo o N.T. mostra a diferença entre as pessoas da divindade. Restaria a terceira possibilidade que o senhorio de Cristo sobre o sábado é inato pela sua condição de co-criador do sábado. O fato é de que a igualdade das pessoas divinas é posta na declaração de Cristo.

- O Espirito de Deus é também de Cristo. Vários textos neotestamentários declaram que o Espirito Santo de Deus é também do filho. (Rm 8.9; Fp 1.19; 1 Pe 1.11; Ap 3.1). Lembrando que não se trata do espirito humano de Cristo que ele tem em sua humanidade, mas ao mesmo Espirito de Deus, tão mencionado em toda bíblia. Antitrinitarianos afirmam que o Espirito Santo é o poder de Deus em ação, logo, se Cristo é detentor desse “poder”, ele é todo poderoso. Para tentar responder isso um antitrinitariano normalmente afirma que Cristo recebeu a promessa do Pai (At 2.33) depois da ressurreição. Essa resposta é insuficiente, pois o texto de Atos fala que Cristo recebeu a promessa do derramamento do Espirito e não o próprio Espirito; além disso, o texto de 1 Pe 1.11 diz que o Espirito era de Cristo antes da encarnação e ressurreição, também na profecia de Joel (JL 2.28) o Senhor promete derramar o seu Espirito Santo, o N.T. afirma que foi Jesus que derramou At 2.33. Assim posto, esse é mais um argumento forte em relação a plena divindade de Cristo.

- Declarações atribuída ao Pai que também são dirigidas ao Filho

- Isaias 6.1-3 com João 12.41- Isaias disse que viu o Senhor (hb. Adonai) e versículo 3 a adoração dos serafins é: Santo, santo, santo é o Senhor (Yehovah) dos exércitos (hb.Tsebaoth). Toda essa forte terminologia aplicada a Deus no A.T. João diz que no caso de Isaias, isso se referia a Cristo.

- Isaias 40.3; Malaquias 3.1 com Mateus 3.3; Mc 1.3; Lc.3.4; Jo.1.23 – O mensageiro iria preparar o caminho do Senhor (Yehovah) o Novo Testamento aplica isso a João Batista que foi o precursor de Jesus (O Senhor).

- Salmos 45.6-7 (Salmos 102. 25-28) com Hebreus 1.8-12 – Esse texto é ainda mais contundente, pois aplica ao filho atributos e prerrogativas que eram dirigidas a Jeovah Deus, vejam: Criador, “Tu fundaste a terra…”; imutabilidade, “Tu porem, és sempre o mesmo…”; eternidade, “E teus anos jamais terão fim”. Todo o peso teológico dessas expressões são endereçadas ao Filho de Deus.

- Isaias 45.23 com Filipenses 2.10-11 – JEOVAH promete que todo o joelho se dobrará perante ele, Paulo afirma que perante Jesus todo o joelho se dobrará.

Diante desses textos temos basicamente três possibilidades de entende-los:

1- Interpretação unicista: Deus e Jesus são a mesma pessoa;
2- Interpretação unitarista: Deus é o criador de Jesus mas fez dele seu representante;
3- Interpretação trinitariana: Deus e Jesus tem as mesmas credencias, por isso o nome Jeovah é dado tanto a um, como a outro.
No caso da interpretação uniscísta, ela desmorona diante de tantos textos que falam de Deus Pai e de Jesus como seres distintos “O Verbo estava com Deus” (Jo 1.1); “A gloria que eu tinha contigo” (Jo 17.5); e muitos outros que mostram a distinção de pessoas.
Na interpretação unitarista ela admite a distinção das pessoas, mas reduz a pessoa do filho a uma criatura, o grande problema disso é que teríamos que admitir que existem mais de um Jeová um maior e outro menor; o maior seria o todo poderoso e Deus supremo; o menor, seria um deus menor que foi criado pelo Deus maior, mais que depois dele, é o ser mais excelente da criação. Isso tecnicamente se chama henoteismo e não monoteísmo, à semelhança da mitologia grega. Henoteismo se caracteriza pela crença em um deus supremo mas sem negar a existência de outros deuses, isso contraria textos como Is 43.10; 45.5. Além disso, os textos que citamos que são proféticos em relação a Cristo, e que identificam ele com o Senhor do A.T. são problemático pelo fato de que o Senhor das passagens era o Senhor que era adorado em Israel e que disse em Dt 6.4 que é único Senhor. A interpretação trinitariana é aquela que consegue harmonizar todas as instancias pois, mantêm o monoteísmo; mantém a distinção das pessoas e reconhece que o Jeovah da antiga aliança é também o Senhor Jesus do Novo.

A Personalidade do Espirito Santo

Posto a plena divindade do Filho resta-nos mostrar a personalidade do Espirito Santo, pois estabelecido isso, a doutrina da trindade se impõe como verdade inegável no texto sagrado. Ao meu ver não é necessário provar a divindade do Espirito Santo, já que os antitrinitarianos reconhecem que o Espirito é o próprio poder de Deus, sendo assim, a necessidade é tão somente mostrar que ele tem autoconsciência e possui vontade própria. Essa autoconsciência é mostrada de forma explicita no Novo Testamento, mas temos no Antigo indícios dela. Em Isaias 40.13 diz:
Quem guiou o Espirito do Senhor? Ou, como seu conselheiro, o ensinou?” Essa é uma pergunta eloquente, a resposta é ninguém guiou o Espirito do Senhor, mas para os antitrinitarianos, foi o próprio Deus que guiou seu Espirito, haja visto, que ele é para eles apenas uma força que Deus usa. Novamente em Isaias lemos: “Mas eles foram rebeldes e contristaram (hb.Iatsab) seu Espirito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles” (Is 63.10). Somente um ser autoconsciente pode ser contristado ou magoado, conforme o termo hebraico usado. Ainda em Isaias o profeta diz: “...Agora, o Senhor Deus me enviou a mim e o seu Espirito” (Is 48.16). Outras traduções deixam claro que foi Deus e o Espirito Santo que enviaram o profeta na sua missão; agora se compararmos isso com Isaias 6.8 “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” fica claro que duas consciências estão em foco.
No Novo Testamento a autoconsciência do Espirito Santo é explicitamente demonstrada pelos seus autores. Vamos ver alguns, ou os principais textos:

- O Outro consolador (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7) – O termo Paraklito, que é traduzido por consolador ou ajudador e até mesmo advogado, é rica para nosso argumento em favor da autoconsciência do Espirito de Deus. Antitrinitarianos afirmam que isso é uma personificação, uma atribuição de personalidade a algo que não é pessoal. Agora pensem o seguinte, Jesus diz que rogaria ao Pai para que ele desse outro consolador, será que os discípulos entenderam que se tratava de uma força impessoal que estava sendo personificada? Jesus pediria ao Pai para que uma força impessoal fosse enviada para ficar com os discípulos? Se o Espirito é só uma extensão de Deus o pedido de Jesus deveria ser para que o próprio Deus viesse para estar com os discípulos, fica desconexo entender que o Espirito foi personificado nesse texto. Podemos substituir o termo consolador por força ativa e ver como ficaria o texto: “Rogarei ao Pai, e ele vos dará outra força ativa, para que fique para sempre convosco”. Há algo mais que reforça a pessoalidade do Espirito Santo na expressão: “Outro consolador”; se o Espirito é outro, Ele é outro em ralação a alguém, esse alguém, é o próprio Senhor, logo Cristo compara o Espirito consigo mesmo, o que faz sentido se tivermos duas autoconsciência presentes. Um antitrinitariano pode argumentar que esse "outro consolador" é o próprio Pai, mas isso seria contraditório, pois teríamos que admitir que: Jesus soprou o Pai nos discípulos Jo 20.28; Jesus batiza com o Pai Mt 3.18.  

João chamou Jesus também de Paraklitos em 1 Jo 2.1 junto ao Pai, enquanto que o Espirito seria o Paraklito com os discípulos. Isso lembra textos do A.T que falavam de duas ou três testemunhas como avalistas de uma causa ( p.e. Dt 17.6). Um antitrinitariano certamente vai apelar para Dt 4.26 que diz “Hoje tomo por testemunha contra vós o céus e a terra”. "Vejam os céus e a terra são personificados como testemunhas, logo isso explica o Espirito como Paraklito", diria um antitrinitariano, mas será que é a mesma coisa? Céus e terra são lugares, e logo, são semelhantes. Agora, nos textos que falam de Jesus e o Espirito como ajudador, não faz sentido que um seja pessoa e o outro não. Ainda dentro dos textos citados, temos outras expressões importantes dentro do assunto, por exemplo, em João 16.13 Jesus diz que o Paraklito não falaria de si mesmo; agora, não seria redundante dizer que uma força impessoal não falaria de si mesmo? Futuramente, vamos tratar mais sobre a questão da personificação.

A Vontade do Espirito Santo – Uma característica marcante que o Novo Testamento apresenta acerca do Espirito Santo é que ele tem vontade própria. A ele é atribuído algo que é próprio de seres autoconsciente. Vejamos o que a Palavra de Deus diz sobre isso:

-Atos 15. 28 “Pareceu bem ao Espirito Santo e a nós…” Lucas coloca esse texto logo após o concilio de Jerusalém quando os apóstolos e bispos determinam quais princípios da lei deveriam ser observados pelos não judeus. A resolução dos apóstolos é chancelada pela frase pareceu bem ao Espirito Santo, ou foi do agrado do Espirito. Antitrinitarianos afirmam que a frase seria a mesma que dizer que foi do agrado de Deus, já que para esses, o Espirito é o poder de Deus em ação. Essa resposta não considera a teologia de Atos onde após o pentecoste o Espirito Santo passou a reger a vida da igreja, afinal, ele é o outro consolador prometido por Jesus que guiaria a igreja em toda a verdade. A expressão pareceu bem ao Espirito Santo, revela a mente por traz das resoluções do concilio e por conseguinte a pessoa que guiava os lideres da Igreja.

- Atos 21.11; At 13.2 - “ Assim diz o Espirito Santo…” Normalmente na antiga aliança lemos a expressão “Assim diz o Senhor…” Já nos evangelhos ouvimos a frase de Jesus; “Em verdade em verdade Eu vos digo” Agora, por que o profeta Ágabo profetizaria do jeito que profetizou? Se Ágabo acreditasse como um antitrinitariano, ele jamais profetizaria dizendo que é o Espirito Santo que está dizendo. Alias, essa profecia é mais um cumprimento do que Jesus disse que o Espirito Santo anunciaria as coisas que haveriam de acontecer (Jo 16.13). O fato é, que essas declarações mostram a vontade autoconsciente do Espirito Santo de Deus, orientando profetas neo testamentário no tocante a vida e direção da igreja cristã.

- 1 Co 12.11- “Mas um só é o mesmo Espirito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente”. O texto trata dos carismas que o Espirito distribui ao corpo de Cristo. Paulo diz que ele faz isso como lhe apraz, ou como lhe convém; a palavra grega é “Boulemai”. Note que Paulo não tem nenhum constrangimento ou ressalva para falar da soberania do Espirito em relação a distribuição dos dons. Jesus disse que Ele receberia o que era Dele (Jo 16.14), o Logos cumpriu sua missão e entregou ao Espirito Santo o cuidado pela sua igreja. Se o Espirito é só uma extensão de Deus, quem distribui os dons na verdade é Deus ou Cristo, a preferência linguística de Paulo por dizer que foi o Espirito, seria no minimo dúbia, seria muito mais prático Paulo dizer que Deus (ou Cristo), distribui os dons através da sua força ativa (o Espirito) se ele acreditasse dos jeito que os antitrinitarianos acreditam.


Outros Textos que mostram a autoconsciência do Espirito de Deus

O Novo Testamento apresenta mais textos que mostram a pessoalidade divina do Espirito Santo. Por exemplo, Paulo adverte para não entristecer o Espirito de Deus (Ef 4.30 comp. Is 63.10), Tiago diz que ele sente ciúmes (Tg 4.5). Ele perscruta as profundezas de Deus (1 Co 2.10). Esse último texto Paulo descreve o Espirito numa ação ativa em relação a Deus, a Palavra para grega “Ereinao”, que é traduzida por perscrutar é a mesma dita por Cristo em Ap 2.23 onde diz que ele sonda rins e corações. A dinâmica do texto é interessante, pois Paulo diz que Deus nos revela seus segredos pelo Espirito, mas quando diz que o Espirito sonda as profundezas de Deus ele não diz que Deus se auto examina pelo Espirito, mas a ação é atribuída como partindo do próprio Espirito Santo. Os antitrinitarianos preferem o caminho da despersonalização, dizendo que em todos esses textos o Espirito é meramente um instrumento passivo nas mãos de Deus, quando os textos citados afirmam que ele se entristece e que ele sente ciúmes, na realidade é o próprio Deus que está sofrendo tais efeitos, o Espirito é usado como uma mera figura de linguagem. Outro texto importante neste momento é sobre a blasfêmia contra o Espirito Santo (Mc 3.29; Lc 12.10). Jesus declara que tal ofensa é imperdoável (Mc 3.29); Ele explica que a ofensa consiste em dizer que o Espirito que estava operando Nele, era um espirito impuro (akathartos). Quem dizia isso eram os escribas (Mc 3.22) pessoas versadas na lei, mas que num ato de pura maldade e imprudência diziam tal coisa. A questão importante para nosso estudo, é que este tipo de blasfêmia é algo sui generis, pois Jesus também disse que todos os outros pecados e blasfêmias podem ser perdoados (Mc 3.28) ou seja, esse pecado só pode ser cometido contra o Espirito Santo. Antitrinitarianos normalmente afirmam, e não poderia ser de outra maneira, que blasfemar contra o Espirito Santo é blasfemar contra Deus, pois no texto Jesus diz que uma ofensa contra ele próprio poderia ser revertida (Lc 12.10), omitindo Deus Pai na sentença. Agora o texto não nos informa porque Deus não é citado, mas isso não é motivo para concluir que Espirito Santo é sinônimo de Deus Pai. A razão para Deus não ter sido citado por Cristo no texto em questão, é que obviamente um escriba que tinha grande reverência por Deus e por seu nome, jamais diria uma blasfêmia direta contra Deus. Assim Jesus não precisaria citar o Pai na sentença, além disso, era Jesus que estava realizando os sinais no poder do Espirito Santo e a intenção dos religiosos era ofender Jesus, porém, se o Espirito Santo é só o poder de Deus em ação e por conseguinte, o poder de Jesus, logo, Jesus poderia ter dito que a blasfêmia que os escribas estavam proferindo era contra o próprio Deus. Um detalhe é que Apocalipse 16.9,11 sugere que a blasfêmia contra Deus é passível de arrependimento, o que mostra a distinção e autoconsciência entre Deus e o Espirito.


Termos impessoais atribuídas ao Espirito de Deus

Antitrinitarianos usam textos que segundo eles provam que o Espirito não é autoconsciente, vou colocar alguns exemplos:

- Derramar o Espirito- (Pv 1.23; Is 44.3; Ez 39.29; Jl 2.28);
- Ser cheio do Espirito – (Dt 34.9; Lc 1.15,67; 4.1; At 2.4; Ef 5.18);
- Soprou o Espirito Santo – (Jo 20.22).

Todos esses textos, segundo os antitrinitarianos, não podem ser aplicados a um ser pessoal, pois segundo eles, não se derrama ninguém; ninguém fica cheio de outra pessoa; e uma pessoa não pode ser soprada. E por esse motivo, que prefiro usar o termo autoconsciência do que pessoalidade, pois essa última, pode ser confundida com corporeidade. Os textos usados pelos antitrinitarianos, na realidade mostram que o Espirito Santo não é corpóreo, por causa disso, que ele é chamado de Espirito. Não sabemos definir o que é Espirito, mal sabemos definir o que é matéria; o que sabemos é que as escrituras estabelecem contraste entre uma e outro (Is 31.3; Lc 24.39). Vários espiritos podem ocupar um corpo (Mc 5.9); e acredito que ninguém nega que aqueles espiritos que possuíam aquele homem, eram seres autoconsciêntes, ou pessoais, se assim você preferir. O fato a destacar é que todas essas expressões usadas a respeito do Espirito Santo, não contradizem sua pessoalidade, Deus, que também é descrito como espirito (Jo 4.24), por vezes lhe é atribuído expressões tais como as usadas para o Espirito Santo, por exemplo: Jeremias 23.24 “Porventura não encho os céus e a terra?…”; ou Hebreus 12.29 “Porque o nosso Deus é um fogo consumidor”.

Curiosamente, quando essas expressões são usadas para Deus, os próprios antitrinitarianos compreendem como analogias para definir aspectos da natureza divina na sua relação com as criaturas, no caso do Espirito Santo porém, elas seriam provas da sua impessoalidade. No caso dos antitrinitarianos, quando o texto sagrado usa expressões pessoais, para eles seria figurado, mas quando usa expressões impessoais, elas seriam literais, descrevendo o que ele é. Não sei qual critério usado por eles para sobrepor uma ideia sobre a outra. Um antitrinitariano pode argumentar que nós trinitarianos fazemos o processo contrário, sobrepomos as expressões pessoais sobre as impessoais. Como trinitariano eu poderia dizer que em ambos os casos o texto sagrado está sendo literal, no caso das expressões pessoais, elas são literais mesmo, ele é uma força pessoal que é tratado como tal; no caso das expressões impessoais, elas também são literais, mas no caso, elas descrevem a sua condição de Espirito, um ser que não é corpóreo por isso é descrito como liquido, vento ou fogo. Assim sendo, na pior das hipóteses, as expressões impessoais seriam analogias da natureza espiritual do Espirito, e não de uma suposta impessoalidade.


Triunidade Implícita

Até agora abordamos o tema da triunidade divina olhando para as pessoas de forma individual, especialmente olhando para o Filho e para o Espirito Santo, já que a figura do Pai não é motivo de debate. Na realidade na história da igreja desde cedo as polêmicas giravam em torno da divindade de Cristo e sobre o Espírito Santo, e como as três pessoas podem ser um só Deus. A partir de agora vamos trabalhar o assunto de forma unificado, não vendo as pessoas separadamente, mas como uma unidade. Verdade seja dita, que não há um versículo nas escrituras que tratam da trindade de forma explicita, com excessão talvez de Mt 28.19 e 1 Jo 5.7, textos cuja autenticidade é negada por críticos. Mais a frente quero tratar desses dois textos. Na realidade na minha opinião não precisaria ter o famoso texto prova para a trindade, pois conforme vimos, se a divindade de Cristo e a personalidade do Espirito Santo forem estabelecida, a única conclusão é a triunidade de Deus. Mesmo assim, acredito que existem textos ou afirmações bíblicas nas escrituras que pressupoem uma divindade composta em Deus.


- Não é bom que o homem esteja só (Gn 2.18) – Acredito que esse texto nos mostre uma importante verdade sobre Deus. A verdade é que Deus estabelece que a solidão é algo ruim, interessante que essa declaração aparece após Deus dizer que tudo o que ele  criara era bom; ou seja, na solidão de Adão, é a primeira vez que Deus diz que algo não era bom. Mas o que isso tem haver com a triunidade de Deus? A relação está no reconhecimento de Deus que a solidão não é algo bom, mas se Deus viveu antes de criar tudo, inclusive o Logos (Jesus), em uma solidão absoluta, como ele pode dizer que ela não é boa? Algumas opções para responder isso, seria dizer que Deus criou tudo exatamente para sair da solidão, mas essa resposta seria muito problemática, pois teríamos que concluir que havia alguma carência em Deus, e por isso ele sentiu necessidade de criar todas as coisas, inclusive alguém parecido com ele, que seria o caso do Logos. Uma segunda alternativa, seria entender que Deus declarou que a solidão genética de Adão era ruim, ou seja, se Adão ficasse só, não haveria humanidade e teria sido isso que Deus teria visto que era ruim. Com certeza essa resposta é muito melhor do que a primeira, mas mesmo assim ela é insatisfatória a meu ver, primeiro porque seria estranho entender que Deus fez o homem só e depois chegou a conclusão que isso seria ruim. Segundo, que um Deus todo poderoso poderia ter feito o homem autosuficiente; que não se sentisse só. Terceiro, se o problema era só a questão da procriação, Deus poderia ter criado vários seres humanos ao mesmo tempo e ter pulado o problema da solidão. O que o texto deixa transparecer, é que Deus seguiu propositadamente uma ordem, exatamente para declarar que a solidão é algo  ruim em sí, e que a criação da mulher posteriormente preencheria esse vazio ontológico de Adão. O fato é que Deus declara que a solidão era ruim, pois ele próprio é um ser que nunca esteve só, mesmo antes de todas as coisas Deus vivia uma comunhão perfeita entre as pessoas divinas.

- Deus é amor - (1 Jo 4.8,16) – Declaração profunda sobre a natureza divina. Definir o amor é quase tão difícil com definir o próprio Deus. Paulo escreveu como ninguém sobre o amor em 1 Corintios 13, dizendo que o amor é maior que a fé e que a esperança (1 Co 13.13). A razão dessa superioridade do amor, mesmo que não dita explicitamente por Paulo, mas pelo contexto do capitulo, é porque fé e esperança são virtudes relacionados com o tempo, e por consequência terão um fim, o amor, ao contrário, não tem início e não terá fim. Assim sendo, ao dizer que Deus é amor, João expressa o que Deus é na sua essência, Deus não passou a ser amor depois da criação, ele sempre foi amor. Agora se o amor é essencial em Deus, como Ele poderia ser amor quando não havia nada, e nem ninguém para que ele expressa-se sua natureza amorosa? Essa pergunta é relevante para aqueles que defendem uma unicidade absoluta em Deus, pois antes de criar qualquer coisa Deus era amor mas não amava, a não ser a si mesmo. Na  definição de amor por Paulo ele diz que : “O amor não busca o seus próprios interesses” (1 Co 13.5),e a não ser que isso não se aplique a Deus, essa verdade só faz sentido, se em Deus, o amor já existia na comunhão entre as pessoas divinas.


Mt 28.19; 1 Jo 5.7 Escritura ou Acréscimos?

Esses dois textos são atacados como acréscimos de copistas, especialmente o de 1 Jo 5.7, já que o de Mateus 28.19 está presente em quase todas as versões e traduções do Novo Testamento, inclusive na tradução do novo mundo, uma tradução feita por antitrinitarianos declarados. Para ser honesto, e não dizer que é em todas, na versão da Peshita em português que pode ser encontrada na internet, a formula batismal não aparace, ela verte o verso assim: “Portanto ide, fazei talmidim (discípulos) em todas as nações em meu nome” (Peshitta Brit Hadasha em português). Talvez essa seja uma das poucas excessões que não tenha a formula batismal trinitariana. Agora ainda sobre a peshita mencionada, Peshita é uma tradução bíblica feita em caracteres siriacos; uma variação do aramaico. Essa tradução é usada por igrejas orientais ortodoxas, exemplos: Igreja ortodoxa siria, igreja ortodoxa indiana, igreja ortodoxa assiria dentre outras. Agora consultando versões em inglês da peshita podemos observar que a formula batismal está lá (tradução peshita). No site mencionado, além de traduções em inglês, também há traduções em espanhol, que ajudam a mostrar a formula trinitariana presente no texto da peshita. Lembrando que as igrejas que usam a peshita e a língua siriaca como língua litúrgica, todas elas são trinitarianas e usam a formula batismal tradicional em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo no ato do batismo. Me parece claro que Mateus 28.19 é autêntico, e não há razões para pensar ao contrário. Sobre 1 Jo 5.7 (conhecido como cláusula Joanina) o assunto é mais complicado, pois a sentença: “Porque são três que testificam no céu: O Pai, a Palavra e o Espirito; E esses três são um” (ARC), não aparecem em muitos dos manuscritos gregos, com exceção de alguns. Existe uma discussão em torno do tema, o que já mostra que não está descartado a possibilidade desse texto ser original. O fato é, que dos dois textos, um claramente mostra a trindade, que é Mateus 28.19, o outro, vamos deixar sob suspeita, mas lembrando que importantes traduções mantém a cláusula, como por exemplo a King James Version (KJV). Mesmo que  a cláusula não seja original de João, ela contém uma tradição antiga sobre o conceito da trindade .


O Testemunho Universal da Igreja Cristã

Enquanto escrevia esse texto, pensei em colocar citações dos pais da igreja sobre a trindade, porém achei mais conveniente, ao invés disso, colocar a opinião dos cristão de hoje, representados por todas as tradições existentes no cristianismo. A razão disso, é que por vezes, é muito difícil apenas com citações isoladas provar que esse ou aquele pai da igreja afirmaram sobre determinado assunto. Diferente de recortes isolados, as declarações de fé e os credos sustentados pelos crentes ao redor do mundo, podemos não só entender os pais da igreja, mas sobretudo entender o texto sagrado. O cristianismo ao longo desses dois mil anos, se estabeleceu em diferentes tradições e ritos, mas há elementos comuns que caracterizam todos os seguidores de cristo. A doutrina da trindade é com certeza um desses elementos. Normalmente dividimos o cristianismo em três grandes tradições: Católicos, protestantes e ortodoxos; gostaria de acrescentar uma quarta tradição cristã, os ortodoxos orientais, que apesar de manterem comunhão entre si, e até com as outras tradições, possuem um sistema de governo próprio. Seis igrejas compõem as igrejas orientais, são elas: ortodoxa copta (Egito); ortodoxa Síria (Síria); ortodoxa etíope (Etiópia); ortodoxa Eritréia (Eritréia); ortodoxa Armena (Armênia); Ortodoxa indiana (Índia). Essas seis igrejas são chamadas de ortodoxas não calcedônianas,  pois não aceitaram as resoluções do concilio da Calcedônia (quarto concilio da cristandade). Além dessas seis igrejas, há uma outra pouco conhecida dos crentes em geral, que é a igreja Assíria do oriente, uma igreja que fica no Iraque e que só aceita os dois primeiros concílios (Nicéia, Constantinopla) como autoritátivos. Somando essas aos outros cristãos, católicos, protestantes e ortodoxos bizantinos (gregos e russos), todas, sem exceção, são trinitarianos. Vou colocar algumas declarações de fé dessas tradições cristãs, por exemplo:


Igreja ortodoxa Copta: “A igreja copta adora o Pai o Filho e o Espirito Santo na unidade de natureza. Nós cremos em um Deus: Pai , Filho e o Espirito Santo; três iguais em essência e participantes da mesma hipóstase. A bendita e santa trindade é o nosso único Deus”. (Fonte:igreja copta, tradução própria).


Igreja ortodoxa siria:A fé da igreja ortodoxa siria está de acordo com o credo de Nicéia. A crença na trindade que consiste em um único Deus que subsiste em três pessoas distintas chamado de Pai, Filho e Espirito Santo; três seres em uma essência; uma divindade. Uma vontade, um trabalho e um senhorio. O principal aspecto da primeira pessoa, é a paternidade; da segunda, a filiação; e da terceira, a procedência”.(Fonte:igreja siria, tradução própria).


Igreja ortodoxa etíope: “Deus é um em três e três em um. A unidade de Deus não é entendida no sentido matemático, nem em uma solitária condição, mas sim, em uma total inclusiva perfeição. Assim o uno é também três. Ele é, afirma o anáfora: três nomes em um Deus; três hipostasis em uma aparência; três pessoas em uma essência”. (Fonte: igreja etiope, tradução própria).


Igreja ortodoxa Armênia: “O Pai é eternamente a causa do Filho por geração, e do Espirito por procedência, contudo na plenitude da santa Trindade, não há maior ou menor, inferior ou superior, mas ao contrário, uma indivisível divindade e poder. Três pessoas co-iguais em gloria, honra e inconfundível unidade, sem vantagem, superioridade ou subordinação, de todas as formas uma bela unidade celestial, e uma infinita habitação de magnificência de três infinitudes: cada um em si mesmo como Pai, Filho e Espirito Santo, e cada um com sua própria identidade”. (Fonte: Igreja Armênia, tradução própria).


Não é necessário colocar declarações de fé católica e protestante, pois é de conhecimento geral que essas tradições creem na doutrina da trindade. Coloquei declarações de outras tradições não tão conhecidas para ilustrar que o cristianismo em todas as suas fileiras declaram a crença na santíssima Trindade. Fica a pergunta aos contradizentes: todas essa tradições estão erradas, todas elas leem as escrituras enveazadas? Lembrando que muitas dessas tradições cristãs remontam o inicio da historia da igreja, como por exemplo, os Coptas e os Armênios, e além disso, as primeiras traduções das escrituras foram feitas para essa línguas. A crença na trindade caracteriza todos os cristãos ortodoxos e aqueles que negam isso, estão seguindo sua própria interpretação, e portanto, estão desligados do tronco principal da fé cristã. 


" A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espirito Santo sejam com todos vós" (2 Co 13.13). Amém! 





























































































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