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| Deus é comunhão não solidão (Papa Francisco) |
No
Antigo Testamento – temos “insights” da doutrina no Velho
Testamento, por exemplo, em nomes e termos que apresentam um conceito
plural:
-
Elohim; Adonai:
é inegável que os termos estão no plural; o singular seria Eloá
e Adon. A questão porém, que o termo plural quando aplicado a Deus,
teria a ideia de majestade, no sentido de respeito a autoridade
divina. No português o plural expressa quantidade, enquanto que no
hebraico ele pode expressar qualidade. Isso seria uma explicação
satisfatória, porém há um problema com isso, quando Moises
escreveu Gênesis, não havia esse recurso linguístico. Historicamente
é difícil dizer em que momento o recurso começou a ser usado, mas
estudiosos afirmam que foi em algum momento no século IV durante o
Império Bizantino. Outros porém, como Genesius, afirmam que os
termos Elohim e Adonai são exemplos do uso do plural majestático na
Torá. Um estudioso que contesta isso, foi o judeu convertido ao
cristianismo C.W.H. Pauli, ele afirma que Genesius cometeu um erro ao
afirmar que os termos são usados como plural majestático, ao longo
do Tanach, reis usavam o pronome “eu” como por exemplo: Gn 41.41
e Dn 3.29 mostra Pauli. Outros exemplos, Gn 29.26-27 onde Labão
falando como Jacó usa o pronome “nós” quando se refere ao
costume de dar a mais velha primeira, e no final, usa o pronome “eu”
para falar de si próprio. Mais um exemplo, 1 Rs 12.9, Roboão rei de
Israel usa o pronome “Nós” para falar dele e dos seus
conselheiros. Assim sendo quando o pronome “nós” é usado por
autoridades na Bíblia, é porque tem mais de um falando. Muitos
argumentam, que no caso de Deus, quando ele usa o pronome “nós”
(Gn 1.26; 3.22; 11.7) ele estaria falando com os anjos. Essa
interpretação porém, é problemática, pois seria como se o Todo
poderoso tivesse tendo conselho com sua criaturas, o que seria
contraditório com sua natureza perfeita “Com
quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão”? (Is
40.14), seria inclusive contraditório, pois a mesma escritura diz
que Deus encontrou loucura nos anjos Jó 4.17; isso obviamente tem haver com a perfeição de Deus comparada à de suas criaturas.
Portanto, se o argumento do plural majestático não funciona, por
ser anacrônico, e a dos anjos também não, por ser incoerente com a
perfeição de Deus, então como entender o uso do plural e dos
termos Elohim e Adonai aplicados a Deus?
A
doutrina da trindade defendida pelo cristianismo ortodoxo responde
essa questão satisfatoriamente. A fala de Deus no plural, é a
perfeita comunhão das pessoas divinas confabulando entre si nas
decisões importantes da historia. Os três momentos em que Deus fala
no plural são: na criação do homem (Gn 1.26); na proibição do
homem comer da arvore da vida (Gn 3.22); e na confusão das línguas
(Gn 11.7), talvez Is 6.8 possa ser colocado como uma quarta referência.
-
A relação do numero três com Deus: Antitrinitarianos
afirmam que se Deus é mais de uma pessoa, então como saber se não são dois ou quatro, por que três? Temos
ao longo do Antigo Testamento, e obviamente no Novo, uma curiosa
relação do número três com o ser divino. Alguns
exemplos:
-
Gênesis
18.2: A
aparição tríplice dos anjos. Isso não significa que era a trindade
ali, mas como representantes divinos a quantidade de anjos é
significativa.
-
Números
6. 24-26:
Na benção sacerdotal o sagrado nome é repetido três vezes.
-
Isaias
6. 3: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos” (comp.
Ap 4.8).
Segundo o Dr. Russel Champlim não existia grau superlativo
no hebraico, como no português existe “santíssimo”, porém a
pergunta é: por que repetir três vezes e não duas
ou
quatro vezes?
-A
manifestação tríplice de Deus: Se
lermos o Antigo Testamento com atenção, poderemos observar uma
tríplice manifestação divina, são elas: a Palavra de Deus, o Espirito de
Deus
e o Anjo do Senhor. A palavra é o veículo pelo qual Deus se dá a
conhecer, a expressão “Veio
a palavra do Senhor a
…” é frequente nas páginas da primeira aliança. Além disso, a
ela é atribuída a criação do universo (Sl 33.6). Intimamente
associado a palavra temos o Espirito, que
também é agente criador de Deus (Gn
1.2; Jó
26.13). Percebam que os dois agentes são apresentados quase
sempre
de forma impessoal na antiga aliança, na nova porém, eles ganham
identidade, a palavra é Cristo, e o Espirito Santo é o Paráclito,
o
outro consolador.
O
Anjo do Senhor é uma teofania divina quase
todos estudiosos concordam, alguns exemplos de que o referido anjo é
mais do que um anjo comum: Gênesis 22.12 “Não
me negaste teu único filho”
lembrando que nos versículos 1 e 2 o texto diz que foi Deus que pediu
o sacrifícios de Isaque e o vers. 12 o Anjo diz que foi ele. Depois
no vers. 15 em diante, o texto
introduz novamente o Anjo do Senhor colocando ele como Deus falando.
Mais
adiante, em Gênesis, Jacó abençoando os filhos de José, Efraim e
Manassés, associa o Anjo com Deus veja os versos 15 e 16 do capitulo
48 “O
Deus em cuja presença…”
“O
Deus que me sustentou...”
e no vers. 16, “O
Anjo
que me tem livrado”.
Um Rabino chamado Mair ben Gabai (1480-1540),
disse sobre essa passagem que o Anjo mencionando
por Jacó não é uma anjo criado, ele argumenta pelo uso da
expressão:
“Abençoe esses rapazes”
Jacó não iria pedir a benção de uma criatura. No
capitulo 31.11,13 o Anjo diz a
Jacó
que ele é o “Deus
de Betel”.
Há
outros notáveis exemplos de que esse anjo era uma manifestação
divina. Alguém
pode argumentar que há outros tipos de manifestações divinas na
antiga aliança, como por exemplo um redemoinho Jó 38.1; na coluna
de fogo e na nuvem Ex 13.21-22, o que aumentaria o número de
manifestações divinas, porém, as três mencionadas antes, a
Palavra, o Espirito e o Anjo, estão intimamente relacionadas a Deus,
pelo uso do termo “do
Senhor”
ou “de
Deus”
ou
seja, essas manifestações procedem de Deus e as vezes são
confundidas com ele mesmo.
O
Conceito Trinitáriano
não Contradiz a Unidade Divina
O que
apresentamos até agora não entra em choque com que o próprio Deus
diz
em Dt. 6.4: “Ouve
ó Israel o Senhor teu Deus é único Senhor”? Esse
texto é uma das declarações mais importantes da religião judaica;
ele serviu de anteparo a toda forma de idolatria que cercava a nação
de Israel nos tempos bíblicos. No capitulo anterior o Senhor
relembrou os dez mandamentos à nação dos quais, os dois primeiros
estão diretamente relacionados ao verdadeiro
culto a Deus “Não
terás outros deuses”
e “Não farás
para ti imagem de escultura”.
(Dt 5.6-7). Javé não
divide sua gloria com ninguém (Is 42.8), pois além dele, não há
outro (Is 43.10). Essas
verdades são incontestáveis e nenhum cristão nega elas, todavia o
que um cristão trinitariano afirma, é que a unicidade de Deus é
compatível com a triunidade; e os textos citados não negam isso.
Primeiramente o “Shema” que afirma peremptóriamente que Deus é
um só Senhor, é
compatível com um Deus que subsiste
em três pessoas. A palavra “Echad” (um só) é usada em outros
contextos para unidades compostas, por exemplo, Gn 2.24 diz: “Uma
só carne” (echad
basar); também Gn 11.6 “O
povo é um”; Ez
37.19, prometendo que Israel seria um só, também
Is 51.2 Abraão e Sara como um.
Todos esses textos usam a palavra echad,
que nas bíblias em português é traduzida como “um”.
Em todas elas todavia, a ideia é de unidade composta, ou pelo menos, a ideia de unidade de propósito. Lembrando
que na passagem, a palavra Elohim está presente, e como vimos antes,
ela é um termo plural.
No
Novo
Testamento -
O que estava latente no Velho se torna patente no Novo. Deus se
revela em três pessoas. A pergunta: chegaríamos a conclusão da
triunidade de Deus apenas com o Velho Testamento? Eu
não diria que sim e nem que não, na verdade ninguém sabe. Se eu
dissesse que sim, teria o problema de não ter Cristo encarnado, e
portanto, seria muito difícil chegar a mesma conclusão que um
cristão ortodoxo tem acerca da trindade. Agora se eu dissesse que
não, contra isso teria as referências dada pelo judaísmo do início
dos primeiros
séculos
d.C de que havia nessa religião uma crença semelhante à crença
cristã da trindade. Isso pode ser chocante para quem ler isso pela
primeira vez, mas sim, havia no judaísmo antigo
algo que pode ser comparado a doutrina da trindade (vide o livro The
great mistery: how can three be one; Rabbi Tzvi Nassi ). Para
um trinitariano duas verdades são fundamentais para se chegar a
conclusão da triunidade divina. 1- Jesus Cristo é Deus, na
verdadeira acepção da palavra; 2- O Espirito Santo é dotado de
personalidade. Superado essas duas verdades, a conclusão é lógica,
não é necessário um texto prova que
demonstre a doutrina. Antitrinitarianos
negam as duas, na primeira, alguns reconhecem a deidade de Cristo,
porém reduzem-na a uma divindade derivada e não auto suficiente
como à do próprio Pai. No caso da segunda, os antitrinitarianos
negam completamente a
personalidade do Espirito Santo, mas curiosamente, não negam a
divindade; é como se o Espirito fosse a própria divindade de Deus
em ação, mas destituído de autoconsciência. São
essas duas diferenças que separam o cristianismo ortodoxo dos
movimentos heterodoxos na crença trinitária. Vejam a lógica, se
você admite que Cristo é Deus e que o Espirito Santo é pessoal
restariam dois caminhos, Ou temos três deuses, ou temos um Deus que
é três pessoas. A primeira possibilidade entraria em choque com
vários textos que afirmam a unidade divina (p.e. Dt 6.4);
consequentemente a conclusão é a que é posta pela doutrina da
trindade: Um Deus em três pessoas.
A
Divindade
do Filho
A
divindade do filho é amplamente apresentada no N. T. Vou apresentar
alguns textos que mostram isso de forma direta e outros que mostram
de forma indireta (aqui no blog há um estudo específico sobre a deidade de Cristo)
- Forma
direta – Jo. 1.1;
20.28; Fp 2.6; Cl 1. 15-17; Tt
2.13; Hb 1.3; 2
Pe 1.1; 1
Jo 5.20. Todos esses textos declaram a deidade de Jesus Cristo, os
antitrinitarianos entendem todos esses textos de maneira diferente,
mas o cristianismo ortodoxo, em todas suas tradições, viu neles uma
clara e inequívoca declaração da suprema deidade do filho.
- Forma
indireta – Neste
caso, o texto bíblico deixa implícito a plena deidade do filho, vamos
analisar alguns casos:
- O
Senhor do sábado
(Mt 12.8; Mc 2.28;
Lc 6.5) compare com:
(Ex 31.13; Ez 20.12). O
Senhor Deus chama o sábado de “Meu”
nos textos da antiga aliança e todos os antitrinitarianos afirmam
que é o Pai que fala ali, no entanto, nos textos do N.T. o Senhor do
sábado é Cristo. Aqui temos um impasse, se Deus é o dono do sábado
e Cristo afirma que ele é o Senhor do
sábado, então temos três possibilidade:
1- Deus
é o verdadeiro Senhor do sábado, mas entregou a autoridade do mesmo
a Cristo;
2- Deus
e Cristo são a mesma pessoa;
3- Deus
e Cristo tem a mesma autoridade e ambos são Senhores do sábado.
Contra a
primeira possibilidade, temos a ausência de uma declaração de
Cristo de que o senhorio dele sobre o sábado é recebido e não
inato. É verdade que
em outros momentos Cristo declara que recebeu do Pai determinada
função (Jo 10.18), mas notem a diferença, no caso do sábado,
Cristo como co-criador de
todas as coisas (Jo
1.3), é tão Senhor como o Pai, por isso ele fala de uma autoridade
inata; nos casos em que ele afirma que recebeu do pai determinada
coisa, ele refere-se
a sua missão redentora na
qual ele temporalmente está subordinado ao Pai; um
detalhe interessante é que Jesus diz que é Senhor do sábado antes
de dizer que recebeu toda a autoridade no céu e na terra (Mt 28.18).
No segundo caso, teríamos que admitir o unicismo que declara que o
Pai o Filho e o Espirito são a
mesma pessoa. Porém, contra isso todo o N.T. mostra a diferença
entre as pessoas da divindade. Restaria
a terceira possibilidade que o senhorio de Cristo sobre o sábado é
inato pela sua condição de co-criador do sábado. O fato é de que
a igualdade das pessoas divinas é posta na declaração de Cristo.
- O
Espirito de Deus é também de Cristo. Vários
textos neotestamentários declaram que o Espirito Santo de Deus é
também do filho. (Rm 8.9; Fp 1.19; 1 Pe 1.11; Ap 3.1). Lembrando
que não se trata do espirito humano de Cristo que ele tem em sua
humanidade, mas ao mesmo Espirito de Deus, tão mencionado em toda
bíblia. Antitrinitarianos afirmam que o Espirito Santo é o poder de
Deus em ação, logo, se Cristo é detentor desse “poder”, ele é
todo poderoso. Para tentar responder isso um antitrinitariano
normalmente afirma que Cristo recebeu a promessa do Pai (At 2.33) depois da
ressurreição. Essa resposta
é insuficiente, pois o texto de Atos fala que Cristo recebeu a
promessa do derramamento do Espirito e não o próprio Espirito; além
disso, o texto de 1 Pe 1.11 diz que o Espirito era de Cristo antes da
encarnação e ressurreição, também na profecia de Joel (JL 2.28) o Senhor promete derramar o seu Espirito Santo, o
N.T. afirma que foi Jesus que derramou At 2.33.
Assim posto, esse é mais um
argumento forte em relação a plena divindade de Cristo.
-
Declarações atribuída ao
Pai que também são dirigidas ao Filho
-
Isaias
6.1-3 com João 12.41- Isaias
disse que viu o Senhor (hb. Adonai)
e versículo 3 a adoração dos serafins é:
Santo, santo, santo
é o Senhor (Yehovah) dos exércitos (hb.Tsebaoth).
Toda
essa forte terminologia aplicada a Deus no A.T. João diz que no
caso de Isaias, isso se referia a Cristo.
-
Isaias 40.3; Malaquias
3.1
com Mateus 3.3;
Mc 1.3; Lc.3.4; Jo.1.23 – O mensageiro iria preparar o caminho do
Senhor (Yehovah)
o Novo Testamento
aplica isso a João Batista que foi o precursor de Jesus (O
Senhor).
-
Salmos 45.6-7 (Salmos
102. 25-28) com Hebreus 1.8-12 – Esse
texto é ainda mais contundente, pois aplica ao filho atributos e
prerrogativas que eram dirigidas a Jeovah Deus, vejam: Criador,
“Tu
fundaste a terra…”;
imutabilidade,
“Tu
porem, és sempre
o mesmo…”;
eternidade,
“E
teus anos jamais terão fim”.
Todo o peso teológico dessas expressões são endereçadas ao Filho
de Deus.
-
Isaias
45.23 com Filipenses 2.10-11 – JEOVAH promete que todo o joelho se
dobrará perante ele, Paulo afirma que perante Jesus todo o joelho se
dobrará.
Diante
desses textos temos basicamente três possibilidades de entende-los:
1-
Interpretação unicista:
Deus
e Jesus são a mesma pessoa;
2-
Interpretação unitarista: Deus é o criador de Jesus mas fez dele
seu representante;
3-
Interpretação trinitariana: Deus e Jesus tem as mesmas credencias,
por isso o nome Jeovah
é dado tanto a um, como a outro.
No
caso da interpretação uniscísta, ela desmorona diante de tantos
textos que falam de Deus Pai
e de Jesus como seres distintos “O
Verbo
estava com
Deus”
(Jo 1.1); “A
gloria que eu tinha contigo”
(Jo 17.5); e
muitos outros que mostram a distinção de pessoas.
Na
interpretação unitarista ela
admite a distinção das pessoas, mas reduz a pessoa do filho a uma
criatura, o
grande problema disso é que teríamos que admitir que existem mais de
um Jeová um maior e outro menor; o maior seria o todo poderoso e
Deus supremo; o menor, seria um deus menor que foi criado pelo Deus
maior, mais que depois dele, é o ser mais excelente da criação. Isso
tecnicamente se chama henoteismo e não monoteísmo, à semelhança da mitologia grega. Henoteismo se caracteriza pela crença
em um deus supremo mas sem negar a existência de outros deuses, isso
contraria textos como Is 43.10; 45.5. Além disso, os textos que
citamos que são proféticos em relação a Cristo, e
que identificam ele com o Senhor do A.T. são
problemático pelo
fato de que o Senhor das passagens era o
Senhor que era adorado em Israel e que disse em Dt 6.4 que é único
Senhor. A
interpretação trinitariana é aquela que consegue harmonizar todas as
instancias pois, mantêm o monoteísmo; mantém a distinção das
pessoas e reconhece que o Jeovah da antiga aliança é também o
Senhor Jesus do Novo.
A
Personalidade
do Espirito Santo
Posto
a plena divindade do Filho resta-nos mostrar a personalidade do
Espirito Santo, pois estabelecido isso, a doutrina da trindade se
impõe como verdade inegável no texto sagrado. Ao
meu ver não é necessário provar a divindade do Espirito Santo, já
que os antitrinitarianos reconhecem que o Espirito é o próprio
poder de Deus, sendo assim, a necessidade é tão somente mostrar que
ele tem autoconsciência e possui vontade própria. Essa
autoconsciência é mostrada de forma explicita no Novo Testamento,
mas temos no Antigo indícios dela. Em Isaias 40.13 diz:
“Quem
guiou o Espirito do Senhor? Ou, como seu conselheiro, o ensinou?”
Essa é uma pergunta
eloquente, a resposta é ninguém guiou o Espirito do Senhor, mas
para os antitrinitarianos, foi o próprio Deus que guiou seu
Espirito, haja visto, que ele é para eles apenas uma força que Deus
usa. Novamente em Isaias
lemos: “Mas eles foram
rebeldes e contristaram (hb.Iatsab)
seu Espirito Santo, pelo
que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles”
(Is 63.10). Somente um ser
autoconsciente pode ser contristado ou magoado, conforme o termo
hebraico usado. Ainda em Isaias o profeta diz: “...Agora,
o Senhor Deus me enviou a mim e o seu Espirito”
(Is 48.16). Outras traduções deixam claro que foi Deus e o Espirito
Santo
que enviaram o profeta na sua missão; agora se compararmos isso com
Isaias 6.8 “A quem
enviarei, e quem há de ir por nós?”
fica claro que duas
consciências estão em foco.
No
Novo Testamento a autoconsciência do Espirito Santo é
explicitamente demonstrada pelos seus autores. Vamos ver alguns, ou
os principais textos:
- O
Outro consolador (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7) – O termo Paraklito, que é traduzido por consolador ou ajudador e até mesmo advogado, é
rica para nosso argumento em favor da autoconsciência do Espirito de
Deus. Antitrinitarianos afirmam que isso é uma personificação, uma
atribuição de personalidade a algo que não é pessoal. Agora
pensem o seguinte, Jesus diz que rogaria ao Pai para que ele desse
outro consolador, será que os discípulos entenderam que se tratava de
uma força impessoal que estava sendo personificada? Jesus pediria ao
Pai para que uma força impessoal fosse enviada para ficar com os
discípulos? Se o Espirito é só uma extensão de Deus o pedido de
Jesus deveria ser para que o próprio Deus viesse para estar com os
discípulos, fica desconexo entender que o Espirito foi personificado
nesse texto. Podemos substituir o termo consolador por força ativa e
ver como ficaria o texto: “Rogarei ao Pai, e ele vos dará outra
força ativa, para que fique para sempre convosco”. Há algo mais que reforça a pessoalidade do Espirito Santo na expressão: “Outro consolador”; se o Espirito é outro, Ele é outro em ralação a alguém, esse alguém, é o próprio Senhor, logo Cristo compara o
Espirito consigo mesmo, o que faz sentido se tivermos duas
autoconsciência presentes. Um antitrinitariano pode argumentar que esse "outro consolador" é o próprio Pai, mas isso seria contraditório, pois teríamos que admitir que: Jesus soprou o Pai nos discípulos Jo 20.28; Jesus batiza com o Pai Mt 3.18.
João chamou Jesus também de Paraklitos
em 1 Jo 2.1 junto ao Pai, enquanto que o Espirito seria o Paraklito
com os discípulos. Isso lembra textos do A.T que falavam de duas ou
três testemunhas como avalistas de uma causa ( p.e. Dt 17.6). Um
antitrinitariano certamente vai apelar para Dt 4.26 que diz “Hoje
tomo por testemunha contra vós o céus e a terra”. "Vejam os
céus e a terra são personificados como testemunhas, logo isso
explica o Espirito como Paraklito", diria um antitrinitariano, mas será que é a mesma coisa?
Céus e terra são lugares, e logo, são semelhantes. Agora, nos textos
que falam de Jesus e o Espirito como ajudador, não faz sentido que
um seja pessoa e o outro não. Ainda dentro dos textos citados, temos
outras expressões importantes dentro do assunto, por exemplo, em
João 16.13 Jesus diz que o Paraklito não falaria de si mesmo;
agora, não seria redundante dizer que uma força impessoal não
falaria de si mesmo? Futuramente, vamos tratar mais sobre a questão
da personificação.
A
Vontade do Espirito Santo – Uma
característica marcante que o Novo Testamento apresenta acerca do
Espirito Santo é que ele tem vontade própria. A ele é atribuído
algo que é próprio de seres autoconsciente. Vejamos o que a
Palavra de Deus diz sobre isso:
-Atos
15. 28 “Pareceu bem ao Espirito Santo e a nós…”
Lucas coloca esse texto logo
após o concilio de Jerusalém quando os apóstolos e bispos
determinam quais princípios da lei deveriam ser observados pelos não
judeus. A resolução dos apóstolos é chancelada pela frase pareceu
bem ao Espirito Santo, ou foi do agrado do Espirito.
Antitrinitarianos afirmam
que a frase seria a mesma que dizer que foi do agrado de Deus, já
que para esses, o Espirito é o poder de Deus em ação. Essa
resposta não considera a
teologia de Atos onde após o pentecoste o Espirito Santo passou a
reger a vida da igreja, afinal, ele é o outro consolador prometido
por Jesus que guiaria a igreja em toda a verdade. A expressão
pareceu bem ao Espirito Santo, revela a mente por traz das resoluções
do concilio e por conseguinte a pessoa que guiava os lideres da
Igreja.
-
Atos 21.11; At
13.2 - “ Assim
diz o Espirito Santo…”
Normalmente na antiga aliança lemos a expressão “Assim
diz o Senhor…” Já nos
evangelhos ouvimos a frase de Jesus; “Em verdade em
verdade Eu vos digo” Agora,
por que o profeta Ágabo profetizaria do jeito que profetizou? Se
Ágabo acreditasse
como um antitrinitariano, ele jamais profetizaria dizendo que é o
Espirito Santo que está dizendo. Alias, essa profecia é mais um
cumprimento do que Jesus disse que o Espirito Santo anunciaria as
coisas que haveriam de acontecer (Jo 16.13). O
fato é, que essas declarações mostram a vontade autoconsciente do
Espirito Santo de Deus, orientando profetas neo testamentário no
tocante a vida e direção da igreja cristã.
-
1 Co 12.11- “Mas
um só é o mesmo Espirito realiza todas estas coisas,
distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente”.
O texto trata dos carismas que o Espirito distribui ao corpo
de Cristo. Paulo diz que ele faz isso como lhe apraz, ou como lhe
convém; a palavra grega é “Boulemai”. Note que Paulo não tem
nenhum constrangimento ou ressalva para falar da soberania do Espirito
em relação a distribuição
dos dons. Jesus disse que Ele receberia o que era Dele (Jo 16.14), o
Logos cumpriu sua missão e entregou ao Espirito Santo o cuidado pela
sua igreja. Se o Espirito é
só uma extensão de Deus, quem distribui os dons na verdade é Deus
ou Cristo, a preferência linguística de Paulo por dizer que foi o
Espirito, seria no minimo dúbia, seria
muito mais prático
Paulo dizer que Deus (ou Cristo), distribui os dons através da sua
força ativa (o Espirito) se ele acreditasse dos jeito que os
antitrinitarianos acreditam.
Outros
Textos que mostram a autoconsciência do Espirito de Deus
O Novo
Testamento apresenta mais textos que mostram a pessoalidade divina do
Espirito Santo. Por exemplo, Paulo adverte para não entristecer o
Espirito de Deus (Ef 4.30 comp. Is 63.10), Tiago diz que ele sente
ciúmes (Tg 4.5). Ele perscruta as profundezas de Deus (1 Co 2.10).
Esse último texto Paulo descreve o Espirito numa ação ativa em
relação a Deus, a Palavra para grega “Ereinao”, que é
traduzida por perscrutar é a mesma dita por Cristo em Ap 2.23 onde
diz que ele sonda rins e corações. A dinâmica do texto é
interessante, pois Paulo diz que Deus nos revela seus segredos pelo
Espirito, mas quando diz que o Espirito sonda as profundezas de Deus
ele não diz que Deus se auto examina pelo Espirito, mas a ação é
atribuída como partindo do próprio Espirito Santo. Os
antitrinitarianos preferem o caminho da despersonalização, dizendo
que em todos esses textos o Espirito é meramente um instrumento
passivo nas mãos de Deus, quando os textos citados afirmam que ele
se entristece e que ele sente ciúmes, na realidade é o próprio Deus
que está sofrendo tais efeitos, o Espirito é usado como uma mera
figura de linguagem. Outro texto importante neste momento é sobre a
blasfêmia contra o Espirito Santo (Mc 3.29; Lc 12.10). Jesus declara
que tal ofensa é imperdoável (Mc 3.29); Ele explica que a ofensa
consiste em dizer que o Espirito que estava operando Nele, era um
espirito impuro (akathartos). Quem dizia isso eram os escribas (Mc
3.22) pessoas versadas na lei, mas que num ato de pura maldade e imprudência diziam tal coisa. A questão importante para nosso estudo, é que este tipo de blasfêmia é algo sui generis, pois Jesus também
disse que todos os outros pecados e blasfêmias podem ser perdoados
(Mc 3.28) ou seja, esse pecado só pode ser cometido contra o
Espirito Santo. Antitrinitarianos normalmente afirmam, e não poderia
ser de outra maneira, que blasfemar contra o Espirito Santo é
blasfemar contra Deus, pois no texto Jesus diz que uma ofensa contra
ele próprio poderia ser revertida (Lc 12.10), omitindo Deus Pai na
sentença. Agora o texto não nos informa porque Deus não é
citado, mas isso não é motivo para concluir que Espirito Santo é
sinônimo de Deus Pai. A razão para Deus não ter sido citado por
Cristo no texto em questão, é que obviamente um escriba que tinha
grande reverência por Deus e por seu nome, jamais diria uma
blasfêmia direta contra Deus. Assim Jesus não precisaria citar o
Pai na sentença, além disso, era Jesus que estava realizando os sinais no poder do
Espirito Santo e a intenção dos religiosos era ofender Jesus, porém, se o Espirito Santo é só o poder de Deus em ação e por
conseguinte, o poder de Jesus, logo, Jesus poderia ter dito
que a blasfêmia que os escribas estavam proferindo era contra o
próprio Deus. Um detalhe é que Apocalipse 16.9,11 sugere que a
blasfêmia contra Deus é passível de arrependimento, o que mostra a
distinção e autoconsciência entre Deus e o Espirito.
Termos
impessoais atribuídas ao Espirito de Deus
Antitrinitarianos
usam textos que segundo eles provam que o Espirito não é
autoconsciente, vou colocar alguns exemplos:
-
Derramar o Espirito- (Pv
1.23; Is 44.3; Ez 39.29; Jl 2.28);
-
Ser cheio do Espirito
– (Dt 34.9; Lc 1.15,67; 4.1; At 2.4; Ef 5.18);
-
Soprou o Espirito Santo
– (Jo 20.22).
Todos
esses textos, segundo os antitrinitarianos, não podem ser aplicados
a um ser pessoal, pois segundo eles, não se derrama ninguém;
ninguém fica cheio de outra pessoa; e uma pessoa não pode ser
soprada. E por esse motivo, que prefiro usar o termo autoconsciência
do que pessoalidade, pois essa última,
pode ser confundida com corporeidade. Os
textos usados pelos antitrinitarianos, na
realidade mostram que o Espirito Santo não é corpóreo, por causa disso,
que ele é chamado de Espirito. Não
sabemos definir o que é Espirito, mal sabemos definir o que é
matéria; o que sabemos é que as escrituras estabelecem contraste
entre uma e outro (Is 31.3; Lc 24.39).
Vários espiritos podem ocupar
um corpo (Mc 5.9); e acredito
que ninguém nega que aqueles espiritos que possuíam aquele homem, eram seres autoconsciêntes, ou pessoais, se assim você preferir. O
fato a destacar é que todas essas expressões usadas a respeito do
Espirito Santo, não contradizem sua pessoalidade, Deus,
que também é descrito como espirito (Jo 4.24), por vezes lhe
é atribuído expressões tais
como as usadas para o Espirito Santo, por exemplo: Jeremias 23.24
“Porventura não encho
os céus e a terra?…”;
ou Hebreus 12.29 “Porque
o nosso Deus é um fogo
consumidor”.
Curiosamente, quando essas expressões são usadas para Deus, os próprios
antitrinitarianos compreendem como analogias para definir aspectos da
natureza divina na sua relação com as criaturas, no
caso do Espirito Santo porém, elas seriam provas da sua
impessoalidade. No caso dos antitrinitarianos, quando o texto sagrado
usa expressões pessoais, para eles seria figurado, mas quando usa
expressões impessoais, elas seriam literais, descrevendo o que ele
é. Não sei qual critério usado por eles para sobrepor uma ideia
sobre a outra. Um antitrinitariano pode argumentar que nós
trinitarianos fazemos o processo contrário, sobrepomos as expressões
pessoais sobre as impessoais. Como
trinitariano eu poderia dizer que em ambos os casos o texto sagrado
está sendo literal, no caso das expressões pessoais, elas são
literais mesmo, ele é uma força pessoal que é tratado como tal; no
caso das expressões impessoais, elas também são literais, mas no
caso, elas descrevem a sua condição de Espirito, um ser que não é
corpóreo por isso é descrito como liquido, vento ou fogo. Assim
sendo, na pior das hipóteses, as expressões impessoais seriam
analogias da natureza espiritual do Espirito, e não de
uma suposta impessoalidade.
Triunidade Implícita
Até
agora abordamos o tema da triunidade divina olhando para as pessoas
de forma individual, especialmente olhando para o Filho e para o
Espirito Santo, já que a figura do Pai não é motivo de debate. Na
realidade na história
da igreja desde cedo as polêmicas giravam em torno da divindade de
Cristo e sobre o Espírito
Santo, e como as três pessoas
podem ser um só Deus. A partir de agora vamos trabalhar o assunto de
forma unificado, não vendo as pessoas separadamente, mas como uma
unidade. Verdade seja dita, que não há um versículo nas
escrituras que tratam da trindade de forma explicita, com excessão
talvez de Mt 28.19 e 1 Jo 5.7, textos cuja autenticidade é negada
por críticos. Mais a frente quero tratar desses dois textos. Na
realidade na minha opinião não precisaria ter o famoso texto prova
para a trindade, pois conforme vimos, se a divindade de Cristo e a
personalidade do Espirito Santo forem estabelecida, a única conclusão
é a triunidade de Deus. Mesmo
assim, acredito que existem textos ou afirmações bíblicas nas
escrituras que pressupoem uma divindade composta em Deus.
-
Não é bom que o homem
esteja só (Gn 2.18)
– Acredito que esse texto nos mostre uma importante verdade sobre
Deus. A verdade é que Deus
estabelece que a solidão é algo ruim, interessante que essa
declaração aparece após Deus dizer que tudo o que ele criara era bom;
ou seja, na solidão de Adão, é a primeira vez que Deus diz que algo
não era bom. Mas o que isso
tem haver com a triunidade de Deus? A relação está no
reconhecimento de Deus que a solidão não é algo bom, mas se Deus
viveu antes de criar tudo, inclusive o Logos (Jesus), em uma solidão
absoluta, como ele pode dizer que ela não é boa? Algumas
opções para responder isso, seria dizer que Deus criou tudo
exatamente para sair da solidão, mas essa resposta seria muito
problemática, pois teríamos que concluir que havia alguma carência
em Deus, e por isso ele sentiu necessidade de criar todas as coisas,
inclusive alguém parecido com ele, que seria o caso do Logos. Uma
segunda alternativa, seria entender que Deus declarou que a solidão
genética de Adão era ruim, ou seja, se Adão ficasse só, não
haveria humanidade e teria sido isso que Deus teria visto que era
ruim. Com certeza essa resposta é muito melhor do que a primeira,
mas mesmo assim ela é insatisfatória a
meu ver, primeiro porque seria estranho entender que Deus fez o homem
só e depois chegou a conclusão que isso seria ruim. Segundo, que um Deus todo poderoso poderia ter feito o homem autosuficiente; que não se sentisse só. Terceiro, se o problema era só a questão da procriação, Deus poderia ter criado vários seres humanos ao
mesmo tempo e ter pulado o problema da solidão. O
que o texto deixa transparecer, é que Deus seguiu propositadamente
uma ordem, exatamente para declarar que a solidão é algo ruim em
sí, e que a criação da mulher posteriormente preencheria esse
vazio ontológico de Adão. O fato é que Deus declara que a solidão
era ruim, pois ele próprio é um ser que nunca esteve só, mesmo
antes de todas as coisas Deus vivia uma comunhão perfeita entre as
pessoas divinas.
-
Deus é amor
- (1 Jo 4.8,16) – Declaração
profunda sobre a natureza divina. Definir o amor é quase tão
difícil com definir o próprio Deus. Paulo escreveu como ninguém
sobre o amor em 1 Corintios 13, dizendo que o amor é maior que a fé
e que
a esperança (1 Co 13.13). A razão dessa superioridade do amor,
mesmo que não dita explicitamente
por Paulo, mas pelo contexto do capitulo, é
porque fé e esperança são virtudes relacionados com o tempo, e por
consequência terão um fim, o amor, ao contrário,
não tem início e não terá fim. Assim sendo, ao dizer que Deus é
amor, João expressa o que
Deus é na sua essência, Deus não passou a ser amor depois da
criação, ele sempre foi amor. Agora
se o amor é essencial em Deus, como Ele
poderia ser amor quando não havia nada, e nem ninguém para que ele
expressa-se sua natureza amorosa? Essa
pergunta é relevante para aqueles que defendem uma unicidade
absoluta em Deus, pois antes
de criar qualquer coisa Deus era amor mas não amava, a não ser a si
mesmo. Na definição de amor por Paulo ele diz que : “O
amor não busca o seus próprios interesses” (1 Co 13.5),e a não ser que isso não se aplique a Deus, essa
verdade só faz sentido, se em Deus, o amor já existia na comunhão
entre as pessoas divinas.
Mt
28.19; 1 Jo
5.7 Escritura ou Acréscimos?
Esses
dois textos são atacados como acréscimos de copistas, especialmente
o de 1 Jo 5.7, já
que o de Mateus 28.19 está presente em quase
todas
as versões e traduções do Novo Testamento, inclusive na tradução
do novo mundo, uma tradução feita
por
antitrinitarianos
declarados.
Para
ser honesto, e não dizer que é em todas, na versão da Peshita
em português que pode ser encontrada na internet, a formula batismal
não aparace, ela verte o verso assim: “Portanto
ide, fazei talmidim (discípulos) em
todas as nações em meu nome”
(Peshitta Brit Hadasha em português). Talvez
essa seja uma das poucas excessões que não tenha
a formula batismal trinitariana. Agora
ainda sobre a peshita mencionada, Peshita é uma tradução bíblica
feita em caracteres siriacos; uma variação
do
aramaico. Essa tradução é usada por igrejas orientais ortodoxas,
exemplos: Igreja ortodoxa siria, igreja ortodoxa indiana, igreja
ortodoxa assiria dentre outras. Agora
consultando versões em inglês da peshita podemos observar que a
formula batismal está lá (tradução
peshita).
No
site mencionado, além
de traduções em inglês, também há traduções em espanhol, que
ajudam a mostrar a formula trinitariana presente no texto da peshita.
Lembrando
que as igrejas que usam a peshita e a língua siriaca como língua
litúrgica, todas elas são trinitarianas e usam a formula batismal
tradicional em nome do Pai,
do Filho e do Espirito Santo no ato do batismo. Me parece claro que
Mateus 28.19 é autêntico, e não há razões para pensar ao
contrário. Sobre 1 Jo 5.7 (conhecido
como cláusula Joanina)
o assunto é mais complicado, pois
a sentença: “Porque
são três que testificam no céu: O Pai, a Palavra e o Espirito; E
esses três são um”
(ARC), não aparecem em
muitos
dos manuscritos gregos, com exceção
de alguns.
Existe
uma discussão em torno do
tema, o que já mostra que não está descartado a possibilidade
desse texto ser original. O
fato é, que dos dois textos, um claramente mostra a trindade, que é
Mateus 28.19, o outro, vamos deixar sob suspeita, mas
lembrando que importantes traduções mantém
a cláusula,
como por exemplo a King James Version (KJV).
Mesmo
que a cláusula não seja original de João, ela contém uma
tradição antiga sobre o conceito da trindade .
O
Testemunho Universal da Igreja Cristã
Enquanto
escrevia esse texto, pensei em colocar citações dos pais da igreja
sobre a trindade, porém achei mais conveniente, ao invés disso,
colocar a opinião dos cristão de hoje, representados por todas as
tradições existentes no cristianismo. A razão disso, é que por
vezes, é muito difícil apenas com citações isoladas provar que
esse ou aquele pai da igreja afirmaram sobre determinado assunto.
Diferente de recortes isolados, as declarações de fé e os credos
sustentados pelos crentes ao redor do mundo, podemos não só
entender os pais da igreja, mas sobretudo entender o texto sagrado. O
cristianismo ao longo desses dois mil anos, se estabeleceu em
diferentes tradições e ritos, mas há elementos comuns que
caracterizam todos os seguidores de cristo. A doutrina da trindade é
com certeza um desses elementos. Normalmente dividimos o cristianismo
em três grandes tradições: Católicos, protestantes e ortodoxos;
gostaria de acrescentar uma quarta tradição cristã, os ortodoxos
orientais, que apesar de manterem comunhão
entre si, e até com as outras tradições, possuem um sistema de
governo próprio. Seis
igrejas compõem as igrejas orientais, são elas: ortodoxa copta
(Egito); ortodoxa Síria (Síria); ortodoxa etíope (Etiópia); ortodoxa
Eritréia
(Eritréia); ortodoxa Armena (Armênia);
Ortodoxa indiana (Índia). Essas
seis igrejas são chamadas de ortodoxas não calcedônianas, pois não aceitaram as resoluções do concilio da Calcedônia
(quarto concilio da cristandade). Além dessas seis igrejas, há uma
outra pouco conhecida dos crentes em geral, que é a igreja Assíria
do
oriente,
uma
igreja que fica no Iraque e que só aceita os dois primeiros
concílios (Nicéia, Constantinopla) como autoritátivos. Somando
essas aos outros cristãos, católicos, protestantes e ortodoxos
bizantinos (gregos e russos), todas, sem exceção, são
trinitarianos. Vou
colocar algumas declarações de fé dessas tradições cristãs, por
exemplo:
Igreja ortodoxa Copta:
“A
igreja copta adora o Pai o Filho e o Espirito Santo na
unidade de natureza. Nós cremos
em um Deus:
Pai , Filho e o Espirito Santo; três iguais em essência e
participantes da mesma hipóstase. A bendita e santa trindade é o
nosso único
Deus”.
(Fonte:igreja copta,
tradução
própria).
Igreja
ortodoxa siria:
“ A
fé da igreja ortodoxa siria está de acordo com o credo de Nicéia.
A crença na trindade que consiste em um único Deus que subsiste em
três pessoas distintas chamado de Pai, Filho e Espirito Santo; três
seres em uma essência; uma divindade. Uma vontade, um trabalho e um
senhorio. O principal aspecto da primeira pessoa, é a paternidade;
da segunda, a filiação; e da terceira, a procedência”.(Fonte:igreja
siria, tradução
própria).
Igreja
ortodoxa etíope:
“Deus
é um em três e três em um. A unidade de Deus não é entendida no
sentido matemático, nem em uma solitária condição, mas sim, em
uma total inclusiva perfeição. Assim o uno é também três. Ele é, afirma o anáfora: três nomes em um Deus; três hipostasis em uma aparência; três pessoas em uma essência”.
(Fonte:
igreja
etiope, tradução própria).
Igreja
ortodoxa Armênia: “O
Pai é eternamente a causa do Filho por geração,
e do Espirito por procedência, contudo
na plenitude da
santa Trindade, não há maior ou menor, inferior ou superior, mas
ao contrário, uma indivisível divindade e poder. Três pessoas
co-iguais em gloria, honra e inconfundível unidade, sem vantagem,
superioridade ou subordinação, de todas as formas uma bela unidade
celestial, e uma infinita habitação de magnificência de três
infinitudes: cada um em
si mesmo como Pai, Filho e Espirito Santo, e cada um com sua própria
identidade”.
(Fonte: Igreja
Armênia, tradução própria).
Não
é necessário colocar declarações de fé católica e protestante,
pois é de conhecimento geral que essas tradições creem na doutrina
da trindade. Coloquei declarações de outras tradições não tão conhecidas para ilustrar que o cristianismo em todas as suas fileiras declaram a crença na santíssima Trindade. Fica a pergunta aos
contradizentes: todas essa tradições estão erradas, todas elas
leem as escrituras enveazadas? Lembrando que muitas dessas tradições
cristãs remontam o inicio da historia da igreja, como por exemplo,
os Coptas e os Armênios, e além disso, as primeiras traduções das escrituras
foram feitas para essa línguas. A crença na trindade caracteriza todos os cristãos ortodoxos e aqueles que negam isso, estão seguindo sua própria interpretação, e portanto, estão desligados do tronco principal da fé cristã.
" A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espirito Santo sejam com todos vós" (2 Co 13.13). Amém!
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