Aquele que detêm e o detido - 2 Tessalonicenses 2
A passagem de 2 Tessalonicenses 2 é outra porção das escrituras que merece por parte de quem a analisa um cuidado especial. Muitas interpretações são dadas na tentativa de elucidar o texto e identificar os personagens ali mencionados. Dois personagens se destacam na passagem, e a nenhum deles, é dada uma identificação, clara e inequívoca por parte do Apostolo Paulo. Obviamente que precisamos considerar que para os leitores originais de Paulo as palavras do Apostolo fizeram muito mais sentido do que para nos hoje em dia. Eles certamente estavam familiarizados com o o ensino paulino tratado na carta. Paulo foi o fundador daquela comunidade, (At. 17.1-10), e como tal, ele tratava os tessalonicenses como um pai trata os filhos, (1 Ts. 2.7-8,11). Os "filhos" de Paulo em Tessalônica estavam acostumados com a doutrina que o Apostolo deixou para eles, (2 Ts. 2.5), porém um pseudo Paulo estava tentando ensinar a eles coisas diferentes das que o Apostolo tinha ensinado pessoalmente quando lá esteve, (2 Ts. 2.2), ou quando enviou a primeira carta. A forte tribulação que os tessalonicenses estavam atravessado, ajudou os falsos mestres a se introduzirem naquela comunidade para ensinar que o dia do Senhor estava perto de chegar. O certo é que os tessalonicenses ficaram afetados com as palavras dos falsos mestres, (2 Ts. 2.2). Haviam alguns que talvez tenham deixado de trabalhar por causa do ensino da iminente "parousia", (vinda de Cristo), (2 Ts. 3.10-11). Nesse contexto é que Paulo aborda acerca do tema que vamos tratar mais detalhadamente neste artigo.
Identificando os personagens
Muitas são as interpretações do segundo capitulo desta carta, que parece ter sido uma das primeiras que o Apostolo Paulo escreveu.. A grande duvida do texto é conseguir identificar os personagens que Paulo apresenta de forma anonima. Para os leitores originais de Tessalônica, certamente não havia dúvidas de quem Paulo estava falando, infelizmente para nós essa informação se perdeu ao longo da historia. Só nos resta fazer o papel de detetive para tentar desvendar o mistério envolto nesse texto. Os dois personagens do texto que precisam ser identificados são:
1- O homem do pecado (2 Ts. 2.3);
2- Aquele que o detêm, (detêm o homem do pecado), ( 2 Ts. 2.6-7).
1- O homem do pecado - Quase todos os autores identificam esse personagem como sendo o anticristo, a duvida maior no caso, seria, se ele já surgiu na historia, ou se ele ainda deverá surgir. A figura apresentada por Paulo parece na verdade ser um: anti-religião, pois o Apostolo diz que ele: "Se levanta contra tudo que se chama Deus, ou é objeto de culto..." (2 Ts. 2.4). Em compensação, ele parece ser criador de uma religião própria, pois o Apostolo acrescenta que: "...Se assenta no templo de Deus, parecendo ser Deus". Paulo continua, e diz algo importante dizendo, que o mistério da injustiça já operava nos tempos dele, mas ao mesmo tempo ele diz, que algo ou alguém impedia que esse mistério se revelasse. Depois que o elemento que impede a manifestação for retirado, então diz o Apostolo, que o mistério da iniquidade vai ganhar rosto e corpo, na figura do iníquo. Paulo ainda diz, que o fim do homem do pecado se dará na segunda vinda de Cristo. Uma pergunta a ser feita. é se o homem do pecado e as bestas de Apocalipse são a mesma criatura? Eu responderia que não e sim. Não, porque acredito que as besta de Apocalipse tem haver com o império romano e seus imperadores, e que o homem do pecado de Tessalonicenses tem haver com alguém que estará vivo e atuante na época da segunda vinda de Cristo. Isso é claramente visto no texto quando Paulo diz: "Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e o resplendor da sua vinda". Por outro, lado as bestas de Apocalipse podem ser identificadas com o homem do pecado na medida que Paulo diz que o mistério da iniquidade já operava nos seus dias, ou seja, as bestas de Apocalipse estavam atuantes no período do Apostolo, e não só dele, pois é só olhar a historia e vamos perceber que o "mistério da iniquidade" está operante em toda a historia da humanidade através de governos ditatoriais e facínoras tais como: Mao Tse- tung, Saddam Husseim, Adolf Hitler e tantos outros que trouxeram terror ao mundo. Podemos portanto falar de um genealogia do mal, a semente da serpente, (Gn. 3.15), começando com Caim, passando pelas bestas de Apocalipse e seguindo por toda a historia até chegar finalmente no homem do pecado do qual o apostolo se refere na carta que estamos comentando.
2- Aquele que o detêm - A segunda personagem do texto, é ainda mais difícil de interpretar e identificar. Paulo em um primeiro momento refere-se a algo impessoal: " O que o detêm", porém, mais adiante usa um expressão pessoal: "Há um que agora o detêm" (2 Ts. 2.6-7). Muitas alternativas são apresentadas para explicar esse personagem. Alguns acreditam que se refira ao ESPIRITO SANTO, outros a Igreja, ainda outros o próprio Apostolo Paulo. Particularmente, acredito que nenhuma dessas possibilidade responda a questão da identidade do personagem. Primeiro vamos analisar as possibilidade que temos para tentar identificar o personagem. Uma das alternativas apresentadas pelos estudiosos é de que o personagem seja o ESPIRITO SANTO, acho essa possibilidade pouco provável, haja visto que Paulo dificilmente usaria as expressões que usou para se referir ao ESPIRITO SANTO. Ele diz: "aquilo que o detêm", uma frase que expressa impessoalidade, o que seria muito estranho ser usada para se referir a terceira pessoa da trindade, a menos que Paulo tivesse uma visão semelhante ás das que as testemunhas de Jeová tem hoje em dia. Outra possibilidade que nos é apresentada, é de que Paulo esteja falando de si mesmo, ou seja, Paulo estaria dizendo a comunidade de Tessalônica de que após sua morte o mal na figura de falsos mestres invadiriam a Igreja e causariam um grande estrago. Essa possibilidade além de ter o problema da anterior, ainda tem a questão de que se ela for verdade, então teríamos que concluir que Paulo estaria dizendo que a vinda de Cristo se daria em seus dias, pois, como vimos, ele diz que a o resplendor da vinda de Cristo mataria o iníquo. Um terceiro grupo de interpretes, acreditam que o que detêm seria a Igreja, que após seu arrebatamento daria espaço ao anticristo. Essa teoria acaba entrando em contradição com próprio texto, pois, Paulo disse no inicio do capitulo, que a vinda do Senhor e a nossa reunião com ele se daria depois da manifestação do homem do pecado, portanto não faria sentido Paulo dizer que o que detêm o iníquo seria a igreja, se antes ele disse que a retirada da Igreja seria depois da manifestação dele. A pergunta então permanece: quem é que detêm a manifestação do homem do pecado? Essa resposta vem a seguir.
Quem detêm o homem do pecado?
Após vermos as outras possibilidade, quero expor a minha interpretação acerca de quem seria o personagem que Paulo apresenta na carta. Já expus aqui no blog um comentário sobre o milênio de Apocalipse (q.v.), onde tratei sobre a visão amilenista sobre aquele famoso capitulo do livro das revelações. Mas o quê Apocalipse 20 tem haver com 2 Tessalonicenses 2 ? Na minha opinião, tem tudo haver, e aquele texto é a chave para interpretar o de Tessalonicenses. Vamos resumir a visão amilenista defendida aqui para depois traçar o paralelo com o texto paulino. Apocalipse 20 começa narrando a prisão de satanás e a sua impossibilidade de enganar as nações durante um período de mil anos. Em nosso comentário (veja aqui no blog), afirmei que a prisão de satanás se deu no ano 70 d.c. na destruição de Jerusalém que marcou definitivamente o fim da era judaica e o inicio da era da igreja. Também disse, que a prisão do diabo tem haver com um impedimento que Deus colocou sobre ele para que durante um período especifico de tempo, ele não pudesse levar as nações numa batalha contra Deus e seu povo, o que normalmente se chama de batalha do Armagedom. Terminado os mil anos, o texto de Apocalipse diz que o diabo será solto da sua prisão (o impedimento será tirado) e ele então, sairá para enganar as nações para a batalha final contra Cristo e seu povo o que evidentemente terminará com a vitoria do Senhor e o fim do diabo, e todos os seus seguidores. Acho que já da para inferir o que Apocalipse 20 tem haver com 2 Tessalonicenses 2. Em Tessalonicenses, Paulo diz que algo ou alguém impede a manifestação do iníquo, em Apocalipse, João diz que no final do período de mil anos satanás será solto da sua prisão, ou seja, o impedimento será retirado e ele então fará o que está determinado a fazer.
Vamos detalhar melhor tudo isso, acredito que aquilo que detêm o homem do pecado, é a mesma coisa que impede satanás de enganar as nações a fim de leva-las para a batalha final contra o povo de Deus. Alguém pode pensar então, que estou dizendo que o homem do pecado da carta de Paulo é o próprio diabo. Certamente que satanás estará por traz do homem do pecado, conforme o próprio Apostolo afirma quando diz: " A vinda do iníquo é segundo a eficácia de satanás..."(2 Ts. 2.9). Apocalipse diz que quando o diabo for solto da sua prisão sairá a enganar as nações nos quatro cantos da terra, (Ap. 20.8). Agora quando pensamos de que forma o diabo fará isso; como ele enganará as nações, a resposta está no que o Apostolo dos gentios disse em Tessalônica. O filho da perdição de 2 Tessalonicenses, será o agente humano que o diabo vai usar para enganar as nações e leva-las contra o povo de Deus em uma última tentativa para destruir a Igreja de Cristo. Com isso então, estou afirmando que o elemento impedidor do qual Paulo falou refere-se a ordem que Deus estabeleceu, impedido o diabo de congregar as nações para a batalha final contra o povo de Deus através do homem do pecado. O texto de Apocalipse descreve a batalha em termos de uma tentativa de invasão ao arraial dos santos, a cidade querida (Ap. 20.9, comp. Ap. 19.7), no capitulo seguinte, João compara a cidade santa com uma noiva preparada para seu noivo, (Ap. 21.2), ou seja, a cidade santa descrita em Apocalipse é a própria Igreja, e é contra ela que satanás é descrito tentando destruir. Pré-milenistas acreditam que essa batalha é uma guerra real no final de um milênio literal de paz onde Cristo estará presente fisicamente com todos os seus santos. De repente porém, todo aquele reino vem abaixo após a soltura do diabo que consegue em pouco tempo desfazer o que Cristo fez em mil anos. É muito mais coerente entender que a batalha final descrita em Apocalipse refere-se a uma guerra espiritual que envolverá filosofias e perseguição contra o povo de Deus, e que acontecerá antes da vinda de Cristo ainda dentro da nossa era.
No texto de 2 Tessalonicenses, Paulo disse que junto com a aparição do homem do pecado, uma grande apostasia tomará lugar junto. Isso explica a vitoria inicial do diabo em conseguir convencer as nações para atacar o povo de Deus, já que elas já estão entregues a própria maldade e descrença: " E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira" ( 2 Ts. 2.11). A mentira que eles vão crer é justamente a sedução do maligno descrito em Apocalipse. Alguém pode se perguntar neste momento em que sentido o diabo está retido hoje, já que ele continua atacando a igreja? Primeiramente temos que entender que a soltura do diabo descrita em Apocalipse mostra um ataque mundial aos santos, e não local, como ocorre na historia. O texto diz que: "Subiram pela largura da terra, e cercaram o arraial dos santos; e a cidade querida..." (Ap. 20.9). A palavra "cercaram" (gr. kukloo), significa circular de todos os lados, ou seja, isso mostra um ataque mundial e coordenado contra o povo de Deus, e é isso que satanás está impedido de fazer hoje, mas no final lhe será concedido como uma última tentativa de destruir a Igreja, que certamente vai fracassar, pois o texto diz que: "...Desceu, porém, fogo do céu e os consumiu" (Ap. 20.9). Resumindo o que disse até aqui, podemos dizer que a liberação da proibição que está sobre o diabo narrada em Apocalipse, é a mesma que impede a manifestação do homem do pecado, quando chegar o momento exato, essa restrição será tirada e então, haverá uma coalizão maligna contra os eleitos.
O Templo
Uma discussão adicional que precisa ser tratada, é sobre o templo mencionado por Paulo na passagem. O apóstolo declara, que o homem do pecado vai se assentar no templo de Deus, parecendo ser Deus (2 Ts. 2.4). Muitos acreditam que o referido templo, será literalmente uma construção aos moldes do que foi o templo de Salomão, e também o de Zorobabel , reconstruído depois do retorno do cativeiro babilônico, e que posteriormente foi remodelado por Herodes o Grande. Outros tem uma interpretação mais espiritualizada, acreditando que o templo refira-se a um controle que o homem do pecado vai exercer no cenário religioso mundial. Na abordagem que estamos trabalhando aqui, não faz muita diferença sobre qual o significado do templo. Agora podemos tentar responder isso da seguinte maneira: primeiramente, é impossível dizer se haverá ou não um terceiro templo construído em Jerusalém. Particularmente acredito, que se houver um, será um templo construído para satisfazer a vontade humana, e não a de Deus. No passado alguns tentaram reconstruir o templo e fracassaram rotundamente. Um exemplo foi o Imperador Juliano, apelidado de o apostata. Ele tentou de todos os meios destruir o cristianismo e desmentir o que Jesus tinha dito sobre o templo, que não ficaria pedra sobre pedra, e uma das formas de fazer isso, foi tentar reconstruir o templo. A historia registra que no dia de colocar a pedra fundamental, um terremoto de proporções apocalípticas eclodiu matando muitas pessoas que estavam ali. Alguém pode afirmar, que Deus não permitiu a reconstrução do templo naquela vez porque ainda não era a hora. Isso pode ser verdade, apesar de acreditar que não há mais lugar para um templo legitimo dentro do programa divino. Jesus deixou claro que os verdadeiros adoradores não precisariam mais do templo (Jo. 4.21-23). Grande parte da carta aos Hebreus trata do fim da antiga aliança com todo o seu cerimonial (Hb. 8.13), o que obviamente inclui o templo, o local onde toda a ritualística acontecia. Seria um retrocesso um novo templo que trouxesse de volta tudo o que Cristo aboliu pela sua morte vicária.
Assim sendo, acredito que o templo do qual Paulo está falando não se refira a uma construção material, mas sim, a uma atitude profana do homem do pecado querendo se parecer Deus. A historia registra reis megalomaníacos com atitudes semelhantes a essa. O rei de Tiro, Ez. 28. 11-19; Antíoco Epifanio, Dn. 8.10-12; rei da Babilônia, Is 14.14. Todos esse três exemplos mostram atitudes humanas de autodivinização que parece ser o que o personagem maligno descrito por Paulo em Tessalonicenses vai fazer. Sentar no templo, equivale a querer o lugar de Deus no culto e na adoração, não é necessário existir um templo real para que isso aconteça, ao contrario, um templo literal em Jerusalém, faria com que essa passagem de Paulo ficasse limitada a religião judaica, pois o templo era um lugar de culto judaico, porém, o que Paulo descreve, parece envolver um culto mundial, pois, ele diz que o homem do pecado vai se levantar contra tudo o que se chama Deus, ou seja, ele vai querer ser o centro do mundo religioso, e não só de uma religião específica. Não seria incomum o uso metafórico do templo no Novo Testamento. Em Apocalipse Jesus promete aos vencedores que eles seriam colunas no templo de Deus e nunca mais sairiam de lá (Ap. 3.12). Acredito que todos concordam que a promessa feita por Cristo não significa literalmente que vamos virar colunas de pedra em um templo igualmente de pedras. Colunas são parte de uma construção de tal maneira que enquanto existir o templo, elas existem também. Como Jesus promete que seremos colunas em um templo celestial, que nunca será destruído, isso pode ser entendido como um ilustração da vida eterna.
O próprio apostolo Paulo faz uma analogia entre os sacerdotes que comiam coisas do templo como parte do seus sustentos, com os pregadores do evangelho que devem também tirar o sustento do próprio evangelho (1 Co. 9.13). O templo nesse caso é usado pelo apostolo como simbolo do próprio evangelho. Esses dois casos exemplificam bem a questão que estou enfocando; na passagem de 2 Tessalonicenses 2.4 o templo é usado por Paulo como simbolo do sagrado, para mostrar uma atitude blasfema do homem de satanás tentando atrair para si às honras devidas somente a Deus.
Considerações finais
Tentamos nesse trabalho apresentar uma alternativa de interpretação desse incrível texto paulino. Podemos colocar tudo que falamos de uma forma mais ordenada da seguinte forma:
1- O homem do pecado é alguém que está associado aos eventos finais que vão anteceder a segunda vinda de Cristo. Isso fica claro no momento que Paulo diz que o iníquo será destruído com o resplendor da vinda de Cristo. As bestas de Apocalipse, que na nossa perspectiva representam o império romano, bem como seus governantes, não são a mesma pessoa que a que Paulo fala em Tessalonicenses. Mesmo assim, o mistério da iniquidade já operava nos tempos apostólicos e vão operar até que chegue o momento da revelação plena disso. As bestas de Apocalipse são um protótipo de alguém que se manifestará no fim da historia.
2- Aquele (aquilo) que o detêm é uma restrição divina imposta sobre satanás que em Apocalipse e retratada como uma prisão: "Lançou num abismo", "fechou", "pôs selo sobre ele". Em Tessalonicenses, Paulo diz que algo será posto de lado para que o filho da perdição se apresente ao mundo, que por sua vez vai recebe-lo de braços abertos. O Apostolo afirma que os incrédulos vão dar crédito a mentira que será apresentado a eles. Em Apocalipse, João apresenta esse evento na perspectiva espiritual mostrando a coisa em termos da prisão e soltura de satanás; em Tessalonicenses Paulo apresenta o mesmo acontecimento, mas do ponto de vista humano, mostrando uma figura humana que será o agente do mal, mas, que terá o seu fim na volta de gloriosa de Cristo.
3- O templo onde o iníquo vai sentar, revela mais uma atitude do que um lugar literal que será reconstruído no futuro. O homem da iniquidade vai fazer uma das coisas mais abomináveis que alguém pode fazer, que é tentar usurpar o lugar de Deus. essa atitude recebeu um nome técnico na escatologia de "abominável da desolação" (Dn. 8.13; 9.27; 11.31; 12.11; Mt. 24.15; Mc. 13.14). Que Deus abençoe todos os leitores.
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