O Arrebatamento e a Segunda Vinda de Cristo
Voltamos a abordar um tema escatológico aqui no blog. Desta vez, vamos
nos debruçar sobre um assunto palpitante dentre os temas da escatologia. O
arrebatamento da Igreja é crido por todos os cristãos, chamados de
ortodoxos, que acreditam que a Bíblia fala de verdades reais que
aconteceram e vão acontecer. Mas, como todo o assunto relacionado a
escatologia suscita polêmica, o arrebatamento talvez seja o carro
chefe das divergências. As polêmicas em torno do tema podem ser expressas
nas seguintes perguntas: Em que momento ocorrerá o arrebatamento?
Para onde os salvos vão após serem arrebatados, para o céu ou voltam para
a terra? Segunda vinda e arrebatamento são a mesma coisa ou eventos
distintos? A resposta a essas perguntas depende do sistema
teológico adotado por cada um, precisamos cruzar as informações de
cada sistema e compara-las ás escrituras para termos uma visão correta do
tema.
O Momento do Arrebatamento
Em relação a essa questão, podemos agrupar os cristãos em dois grupos: Os
que separam o arrebatamento da segunda vinda, e os que colocam ele junto
com ela. No primeiro grupo estão os pré-milenistas dispensacionalistas,
especialmente os pré-tribulacionistas e os mid-tribulacionistas. Esses
acreditam que o arrebatamento é um evento à parte da vinda visível de
Cristo, a diferença entre pré e mid, fica na questão temporal, prés, acreditam que o arrebatamento ocorre no inicio da grande tribulação de 7
anos, enquanto que os mid, acreditam que ele ocorre no meio da grande
tribulação. O segundo grupo é o dos que acreditam que o arrebatamento é um
evento concomitante à segunda vinda, entre eles estão: amilenistas,
pós-milenistas, pré-milenistas históricos, pré-milenistas
dispensacionalistas pós-tribulacionistas e também os dispensacionalistas
progressivos. (Obs: a priori podem haver nesse segundo grupo alguém que
seja pré ou mid tribulacionistas, porém, deve ser bem raro, pois, nunca
ouvi falar por exemplo, de um amilenista pré-tribulacionísta, porém, em
tese, é possível existir). Não vamos nos preocupar aqui sobre
detalhes do que cada grupo desses tem em relação aos eventos
escatológicos em geral, o que nos interessa aqui no momento é abordar o
arrebatamento junto ou separado da segunda vinda.
A primeira coisa que precisamos analisar é, onde nas escrituras o ensino sobre o arrebatamento aparece. O texto áureo que trata sobre isso é 1 Ts 4.16-18, nele temos a base para a crença no arrebatamento. É nele que temos a palavra "arrebatados", (gr. harpazo), obviamente que não é só em torno da palavra arrebatados que o ensino gira. O texto fala, que esses arrebatados irão encontrar o Senhor nos ares, a partir de então, eles estarão para sempre com Cristo. A grande questão que surge é, se esse evento faz parte da segunda vinda ou se ele é um evento próprio. Os pré tribulacionistas acreditam que ele está separado da segunda vinda por 7 anos, e os mid, por 3,5 anos. É comum ouvir pré-tribulacionistas ou mid, falarem que a segunda vinda de Cristo é dividida em duas fases, a primeira fase seria o arrebatamento, quando Cristo volta para buscar a Igreja, e a segunda fase, seria a vinda visível, com a igreja que ele levou sete anos antes. Certamente, isso é uma forma de fugir do constrangimento de ter que admitir que haverá duas vindas futuras de Jesus, coisa que não teria como ser explicada a luz dos textos que, claramente falam que Cristo voltará só mais uma vez, como por exemplo, Hebreus 9.28: "Assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para tirar o pecado de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que aguardam para a salvação". Para resolver isso, os pré e os mid, alegam que a segunda vinda tem duas fases, porém, ambas são segunda vinda. Mais adiante volto a esse assunto.
O texto de 1 Tessalonicenses 4.16-18 pode ser o único que usa a palavra arrebatamento, porém, não é o único que fala do assunto. Um outro texto famoso referente ao arrebatamento é o de 1 Corintios 15.51-52: "Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da ultima trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados". Apesar da palavra arrebatamento, ou seus cognatos não aparecer nesse texto, a ideia esta ali. O texto praticamente fala a mesma coisa de 1 Tessalonicenses, porém, sua enfase maior está na transformação que vivos e mortos crentes vão sofrer no momento do evento. Parece haver unanimidade em relação a esses dois textos, todos os grupos reconhecem neles uma clara alusão ao arrebatamento. A questão que se levanta, é que por esses dois textos, não temos como definir se o arrebatamento é junto ou separado da segunda vinda. A partir daqui posso começar a expor a minha opinião acerca desse assunto. Como um amilenista, obviamente me identifico com o grupo que acredita que o arrebatamento ocorre junto com a segunda vinda, e não há nenhuma evidência bíblica forte o suficiente que mostre algo diferente. Pela leitura simples das escrituras não tem como se chegar a conclusão pré(mid)-tribulacionísta, é preciso estabelecer vários pressupostos antes, e então, com esses pressupostos fazer uma leitura condicionada para se chegar a conclusão deles. Dentre os pressupostos, temos a radical diferença que os dispensacionalistas fazem entre Igreja e Israel. A pergunta que deveria se fazer é: mesmo que exista essa diferença, por que necessariamente isso provaria o arrebatamento pré-tribulacionísta? A impressão que se tem, é que os pré-tribulacionistas usam a lei de Newton, que diz que dois corpos não podem ocupar um espaço ao mesmo tempo. Se Israel está em cena, a igreja está ausente e vice versa.
Obviamente que esse principio não é seguido por todos os
dispensacionalistas, como por exemplo, os pós-tribulacionistas, que
reconhecem a diferença, mas, não separam os eventos. Não quero discutir se
há ou não diferença entre Igreja e Israel nos planos de Deus, coloquei
isso, apenas para mostrar que esse é um dos motivos que fazem os
pré-tribulacionistas separar os eventos. Indo ao texto bíblico, percebemos
que a segunda vinda de Cristo é descrita como um evento unificado. Vamos
colocar alguns textos e analisar se há qualquer separação entre os eventos
discutidos aqui. O primeiro que gostaria de expor é o de Mateus
24. 29-31: "Logo depois da aflição daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não
dará sua luz; e as estrelas cairão do céu, e os poderes do céu serão
abalados. Então aparecerá no céu o sinal do filho do homem, e todas as
tribos da terra se lamentarão, e verão o filho do homem vindo sobre as
nuvens do céu, com poder e grande glória. E
ele enviará seus anjos com clangor de trombeta, os
quais lhe ajuntarão os
seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma á outra
extremidade dos céus". Diante de um texto desses alguém duvida de que ele está falando
do mesmo evento de 1 Ts 4.16-18? Pois acreditem, os pré-tribulacionistas
afirmam que eles falam de eventos diferentes. Segundo eles, esse texto de
Mateus descreve a segunda vinda e não o arrebatamento. Aqui entra o
pressuposto mostrado lá atrás, da diferença entre Israel e Igreja. Para os
pré-tribulacionistas, a igreja já teria sido levada antes, precisamente 7
anos, esse evento de Mateus descreve a vinda visível de Cristo para vir
julgar as nações e salvar os escolhidos (judeus) da grande
tribulação.
Agora pensem comigo, se esse texto de Mateus é diferente do de 1
Tessalonicenses, a conclusão lógica é de que os pré-tribulacionistas e
os mid, acreditam em dois arrebatamentos, um da igreja, e outro no
final da grande tribulação. Mesmo que eles venham a negar isso, não tem
como evitar essa conclusão, pois alguém que lê o texto de Mateus e
encontra a descrição de anjos voando pelos céus, pegando pessoas e
levando elas para outro lugar, não vai concluir que elas estão sendo
arrebatadas? Todos os elementos do arrebatamento estão descritos
ali. Talvez seja por isso, que existam os defensores do arrebatamento
parcial, que é ainda, um outro grupo que acredita que haverá varias
etapas do arrebatamento. O texto de Mateus descreve a segunda vinda e o
arrebatamento; os eventos são apresentados unificados e não separados.
Jesus está ensinado isso aos seus discípulos, que mais tarde se tornaram
Apóstolos e o fundamento da Igreja, (Ef. 2.20), a desculpa de que
Jesus está falando para judeus, e por isso não tratou sobre o
arrebatamento é inaceitável, pois, como vimos, ele trata do arrebatamento, ao dizer
que Anjos vão ajuntar os escolhidos dos quatro cantos da terra. Um
pré-tribulacionísta pode alegar que Jesus não fala nada da
ressurreição dos justos, porém, não falar, não significa que não vá acontecer. Obviamente que a expressão: escolhidos,
subtende os crentes que serão ressuscitados no momento do arrebatamento. Esse não é o
único momento que Jesus fala de anjos ajuntando justos e levando
eles, no próprio evangelho de Mateus no capitulo 13.47-50, a parábola
da rede, Cristo explica que os anjos no final dos tempos separarão os
maus dos justos, o que combina com a descrição do sermão escatológico.
Esse vai ser o objetivo do arrebatamento: separar os crentes
dos infiéis.
Ainda no evangelho de Mateus, Jesus fala do juízo das nações, Mt.
25.31-46, texto que os dispensacionalistas dizem que refere-se ao
julgamento que vai analisar quem entra e quem fica de fora do milênio.
Agora, vejam a incoerência da posição dispensacionalista, e desta vez
incluo todos eles, pré, mid e pós, com o texto.
1- "Quando vier o filho do homem na sua gloria e todos os anjos com
ele...". Segundo os pré-tribulacionistas a igreja teria sido
arrebatada sete anos antes, logo, nesse evento; ela deveria estar voltando
com Cristo, porém o texto fala que ele virá com seus Anjos e só, não
há menção de pessoas voltando com ele. Obviamente que a velha desculpa
de que Jesus está falando só para judeus, por isso a igreja não está
presente, vai ser o jeito dos pré-tribulacionistas explicar isso.
Outros textos do Novo Testamento falam que na segunda vinda Cristo
virá acompanhado de anjos e não de pessoas; veja: Mt.
16.27; Mc. 8.38; Lc. 9.26; 2 Ts. 1.7; Jd. 1.14; Ap. 19.14, 1 Ts. 3.13. Desses
textos, os únicos que poderiam sugerir que pessoas estão voltando com
Cristo na segunda vinda são o de Judas 1.14, Apocalipse 19.14 e 1
Ts. 3.13. O de Judas fala em "santos", o que poderia ser uma referência
aos crentes, mas, basta olhar as referências de Mc. 8.38 e Lc. 9.26 para
descobrirmos que os anjos são chamados de santos; inclusive muitas
versões em português e inglês, traduzem o verso como: "santos anjos", ou
"santas miríades" como por exemplo a versão em inglês CEV (Contemporary
English Version): "...The Lord is coming with thousands and thousands of holy angels". (A Bíblia de Jerusalém traduz "santas miríades"). O outro texto que
poderia apoiar a tese pré-dispensacionalistas, é o de Apocalipse 19.14,
ele descreve que os exércitos do céu acompanham Cristo em cavalos
brancos. Por tudo que mostramos fica claro que essa referência também
aponta para anjos vindo com Cristo, especialmente pelo fato que a cena
mostra um cenário de guerra e os anjos são o exército de Jesus vindo com
ele na segunda vinda, como ele próprio deixou claro nas referências dos
evangelhos (Obs. particularmente acredito que o texto de Apocalipse 19.14 não está tratando da segunda vinda, mas sim, da vinda em juizo de Cristo sobre Jerusalém no ano 70 d.C.) . E ainda por fim, temos o de 1 Ts. 3.13 que é muito
parecido com o de Judas 1.14. Cristo também aparece vindo com seus
"santos", esse talvez seja de todos, o texto que mais poderia dar a ideia
de Cristo voltando com pessoas na segunda vinda. A versão que citamos
antes em inglês CEV, traduz esse verso da seguinte maneira: "And when our Lord comes with all his people...", que traduzindo seria: "Quando nosso Senhor voltar com todo o seu povo". O texto original em grego diz: "panton ton hagion" literalmente:
"todos os seus santos", que é a tradução adotada pela esmagadora maioria
das traduções. Não sei o critério que a versão em inglês usou para
traduzir a expressão em grego para "todo o seu povo", pois hagion
(santos), conforme já vimos, pode estar se referindo simplesmente a
anjos, mas, mesmo que ela inclua os santos (pessoas), isso poderia estar
falando das almas dos santos voltando com Cristo, coisa que todos os
imortalistas, tanto pré, quanto pós tribulacionistas, acreditam que vá acontecer. Um detalhe que é preciso acrescentar, é de que Paulo pede para que os Tessalonicenses sejam encontrados em santidade na vinda de Cristo, logo não faz sentido dizer que eles estão vindo junto, o que prova que os santos na passagem, são anjos e não pessoas.
2- "Cada vez que fizeste (ou não) a um desses pequeninos irmãos, a mim
fizeste (ou não)". Segundo os pré-tribulacionístas isso será dito por Cristo aqueles que
passarão pela grande tribulação, já que a Igreja teria sido arrebatada. As
nações da grande tribulação serão julgados pelo que fizeram aos
"pequeninos irmãos", que na interpretação da maioria dos
pré-tribulacionístas, são os judeus. Quem oferecer ajuda a eles, terá como
retribuição a entrada no milênio, quem for beligerante aos judeus será
exterminado na batalha do Armagedom. Obviamente que os
pré-tribulacionístas acreditam que a salvação na grande tribulação será
pela aceitação do evangelho, como é hoje em dia, mas, em algumas obras
pré-tribulacionistas a questão de Israel fica mais em evidência do que a
salvação pela graça. Vejo três problemas com a interpretação
dispensacionalista no tocante ao do julgamento das nações:
(1º) As coisas que Cristo diz, como por exemplo: tive fome; tive sede; tive
preso etc, faz todo o sentido quando entendemos isso como uma referência a
toda a história da Igreja, e não restrito a um período de sete anos, como
ensinam os pré-tribulacionistas. Visitar pessoas nos hospitais ou em
prisões, revela uma rotina no mundo, algo inimaginável na grande
tribulação quando coisas espantosas tais como: pedras de 30 kilos caindo,
(Ap. 16.21), nuvens de seres demoníacos atormentando as pessoas, (Ap.
9.1-12), águas virando sangue, (Ap. 11.6) e tantas outras coisas descritas
em Apocalipse, e que os pré-tribulacionistas colocam dentro da grande
tribulação. Quem não fez as coisas que Jesus cobra das nações, no
julgamento, durante o curso da vida, não é na grande tribulação que elas iriam fazer.
(2º) Há uma clara contradição na perspectiva pré-tribulacionísta no que diz
respeito ao julgamento da nações e a grande tribulação de sete anos. Os
pré-tribulacionistas afirmam que durante a grande tribulação Israel será
guardado dos flagelos que serão derramados contra a humanidade, (Ap.
12.6), mas, se o julgamento da nações refere-se as coisas que vão
acontecer na grande tribulação, e se os pequeninos são os judeus do
período, como explicar eles como fome e com sede, sendo que o texto de
Apocalipse 12.6 (pré-tribulacionistas dizem que a mulher é Israel), fala
que a mulher será alimentada?
(3º) A identidade dos pequeninos irmãos. Pré-tribulacionistas afirmam que
os pequeninos irmãos que Jesus menciona no julgamento das nações são os
judeus da grande tribulação. Mas quando olhamos os evangelhos entendemos
que na verdade esses irmãos de Jesus são todos os salvos: " Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e as
observam". (Lc. 8.21); no próprio evangelho de Mateus, onde a passagem do
julgamento da nações está, Jesus claramente identifica os seus irmãos
como seus discípulos (Mt. 12.49). Portanto, pela comparação com outros
textos das escrituras fica muito mais coerente entender que os
"pequeninos irmãos", do julgamento da nações, são todos os seguidores de
Jesus Cristo de todas as eras, e não a um grupo restrito da grande
tribulação.
O problema da última trombeta - (Mt 24.31; 1 Co 15.52; Ap 11. 15-19). Outro forte argumento contra a visão pre-tribulacionista que separa os eventos, é o que as sagradas escrituras dizem sobre o toque da trombeta final. Segundo os pré-tribulacionistas, a trombeta de 1 Co 15.52 (tb.1 Ts 4.16) é diferente da de Mt 24.31 que por sua vez é diferente da de Ap 11.15. Mas vejam a confusão que fica, pois Paulo diz claramente que a trombeta é a última; Mt 24.31 fala de Jesus voltando ao som de trombeta e Ap 11.15 fala que quando a sétima trombeta tocar, ocorrerão vários eventos, incluindo julgamento e recompensa dos justos (Ap 11.18). Como poderia então a trombeta de 1 Co 15.52 ser diferente das de Mateus e Apocalipse? Segundo as elucubrações dos pré-tribulacionistas, a última trombeta de 1 Co 15.52 é a última de uma série e não a última final e definitiva. Mas que série seria essa? Para esse argumento se sustentar seria necessário mostrar por exemplo, onde ocorreu o toque da primeira trombeta, ou da segunda, enfim, mostrar onde começou os toques das trombetas que culminaria com a final apontada por Paulo. Não é possível fazer isso, e se essas trombetas foram tocadas, ninguém ouviu, e ninguém sabe quando. Para piorar a situação pré-tribulacionista, o único lugar onde a Bíblia aponta uma série de trombetas tocando, é em Apocalipse, começando em 8.7 e terminando em 11.15, porém, segundo os pré-tribulacionistas, essa série acontece depois da de 1 Co 15.52, já que para eles a igreja teria sido arrebatada pela última trombeta de 1 Co 15.52. Assim sendo, para os pré-tribulacionistas, a sétima trombeta de Apocalipse é uma outra série que começaria na grande tribulação e terminaria dentro da própria. A trombeta de Mateus 24.31 seria ainda uma outra, não tenho certeza se todos os pré-tribulacionistas acreditam que a última trombeta de Ap 11.15 é diferente da de Mt 24.31, mas pela lógica que eles adotam sim, pois para eles o livro de Apocalipse é cronológico, portanto se a sétima trombeta tocou no capitulo 11.15 e depois dela outros eventos se desenrolaram, como por exemplo a aparição da besta (cap 13) e o derramamento dos sete flagelos (cap 16 em diante), é de se esperar que eles acreditem que a trombeta de Mt 24.31 é diferente também da de Apocalipse, já que no caso de Mateus, ela tocaria no fim da grande tribulação, anunciando a vinda visível de Cristo. Resumindo, para os pré-tribulacionistas, existem três últimas trombetas: 1- 1 Co 15.52; 2- Ap 11.15; 3- Mt 24.31. O problema, não é nem dividir nesse caso, mas dizer que a ultima trombeta que Paulo fala em 1 Co 15.52 não é de fato a última; isso transforma o texto bíblico em enigmático demais, é necessário esvaziar o significado das palavras, no caso "última trombeta" em nome do sistema, que insiste em dividir arrebatamento de segunda vinda.
Argumentos Pré-Tribulacionistas
Iminência - Pré-tribulacionistas usam recorrentemente o
argumento da iminência, como uma prova que apoie a ideia de que o
arrebatamento vá ocorrer alguns anos antes da segunda vinda. Segundo eles,
textos que mostram a vinda de Cristo de forma repentina, como por exemplo:
"...Porque o filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam". (Mt 24.44), ensinam que Jesus pode voltar a qualquer momento, sem
sinal prévio. Primeiramente, o interessante desse texto, é que ele fala
claramente de uma vinda de Cristo, "O filho do homem virá", parece claro que ele está falando da segunda vinda de Cristo nesse
texto, porém, para os teólogos pré-tribulacionistas, a passagem
estaria falando especificamente do arrebatamento. O motivo disso, é que o
elemento iminência está no texto, portanto, essa vinda, não é a segunda
vinda. Os teólogos pré-tribulacionistas entendem ser mais fácil
separar os eventos (arrebatamento - segunda vinda), do que achar uma
solução mais simples para entender o texto. O mais simples, seria
entender que esse texto, e todos os outros que falam do
caráter repentino da segunda vinda, é que eles não eliminam a
possibilidade de sinais prévios antes do evento. Se eu fala-se para
alguém, que está na iminência de chover no dia de hoje, será que essa
pessoa entenderia que a chuva viria, de repente, sem qualquer sinal
prévio? Obvio que não, a pessoa olharia para o céu, atentaria para as
nuvens; e concordaria ou não com minha afirmação. Iminência não
pressupõe ausência de sinais. Alguns textos claramente associam a
iminência com a segunda vinda, por exemplo: 1 Pedro 3.10 " Virá, pois como ladrão o dia do Senhor, na qual os céus passarão com
grande estrondo, e os elementos, ardendo se dissolverão, e a terra, e as
obras que nela há, serão descobertas". Mesmo os pré-tribulacionistas, afirmam que esse texto de Pedro
refere-se a segunda vinda (a segunda fase da segunda vinda na linguagem
deles) e não poderia ser de outra forma, pois, o texto claramente diz que
o dia do Senhor virá, e em seguida fala na destruição da presente ordem de
coisas; se esse texto tivesse falando do arrebatamento (a primeira fase da
segunda vinda na linguagem deles), então teríamos que concluir que
após o arrebatamento o mundo seria destruído, mas o problema disso é que,
como Cristo voltaria sete anos depois a um mundo que foi destruído? A
solução mais simples, é entender que o arrebatamento vai acontecer junto
com a segunda vinda, seguindo-se então o juízo final. O detalhe desse
texto é que a iminência está associada a vinda visível de Cristo, o
que refuta a argumentação pré-tribulacionísta, que usa a iminência como
uma da razões para separar o arrebatamento da segunda vinda. O texto de Apocalipse 16.15 também é mortal para a iminência pré-tribulacionísta, pois ele fala da vinda como ladrão (iminente), porém, o problema é que a igreja já teria sido arrebatada segundo os pré-tribulacionistas, mas então, por que o texto estaria falando em iminência ainda?
Textos Conflitantes - Um outro argumento apontado pelos pré-tribulacionistas é que a segunda
vinda de Cristo é descrita com detalhes que parecem se contradizer se
considerarmos os eventos, arrebatamento - segunda vinda juntos. Um
exemplo citado por eles, são os textos de Zacarias 14.4 e
Tessalonicenses 4.17. Em Zacarias temos a menção do Senhor pisando no
monte das oliveiras e em Tessalonicenses, o texto fala em encontrar o
Senhor nos ares. Esse é com certeza um argumento muito fraco, pois ele
simplesmente desconsidera inexplicavelmente outras possibilidades
de harmonizar esses dois textos. Se em um texto é dito que os Senhor
está no monte, e em outro ele está nos ares, não seria mais
fácil entender que um fala da descida e o outro fala da chegada?
Para Jesus estar pisando no monte, ele deve ter primeiro passado pelos
céus, já que ele esta vindo de lá. Em Tessalonicenses, Paulo não fala
que vamos para o céu após nosso encontro com Cristo nos ares, ele apenas
diz que estaremos para sempre com o Senhor, mas no que isso impede de
voltarmos com ele para terra após o encontro com ele no ares? Estar para
sempre com ele, pode ser em qualquer lugar, inclusive voltar para a
terra. Em Atos 1.11 os dois Anjos que apareceram após a ascensão do
Senhor disseram o seguinte: " Varões galileus, por que ficais ai olhando para o céu? Esse Jesus,
que foi elevado para céu, há de vir assim como para o céu o viste
ir". Esse texto descreve o caminho inverso que Cristo fez quando subiu ao
céu, em relação ao que ele vai fazer quando voltar. Daquela vez, ele
saiu do monte das oliveiras em direção ao céu, na sua volta, ele virá do
céu e descerá no monte da oliveiras, a diferença, é que na volta, nós
iremos recebe-lo no caminho, para imediatamente voltar com ele. Uma
explicação adicional em relação ao texto de Zacarias 14.4, é que ele
pode estar usando uma linguagem poética/profética para descrever o dia
do Senhor, ou seja, os pés do Senhor sobre o monte pode estar sendo
usada figuradamente pelo profeta como outros fizeram, vide Miqueias 1.4,
onde ele descreve uma cena de juízo e usa uma linguagem bem semelhante á
de Zacarias, descrevendo os montes derretendo debaixo do
Senhor.
A Grande Tribulação - Esse argumento está associado ao da
iminência, coloquei ele em separado, pois ele tem suas próprias
características. Os dispensacionalistas em geral, afirmam que haverá uma
grande tribulação futura de sete anos, baseados na profecia de Daniel
acerca das setenta semanas (Dn 9.24-27). Os pré-tribulacionistas associam a
grande tribulação com a iminência, dizendo que, sendo a grande
tribulação um evento futuro que precisa acontecer antes da segunda vinda
de Cristo, logo, somente separando o arrebatamento da vinda visível,
conseguiríamos conciliar os textos que falam da iminência. Para
eles (pré-tribulacionistas), se o arrebatamento ocorrer junto com a
segunda vinda, então saberíamos exatamente o dia que Cristo
voltaria, pois, bastaria contar sete anos a partir da grande tribulação
e chegaríamos a data exata da volta de Cristo. Isso, segundo eles,
estaria em conflito com o que Jesus disse acerca de ninguém saber (a não
ser Deus Pai) o dia da sua volta (Mt.24.36). Esse argumento para se
sustentar, precisa dos seguintes pressupostos: 1- A septuagésima semana
de Daniel, ainda não pode ter se cumprido. 2- Ela tem que ser
literalmente um período de sete anos. 3- A ultima semana da profecia tem
que estar entre o arrebatamento e a segunda vinda. O primeiro
pressuposto, já é uma tarefa muito difícil para os
pré-tribulacionistas. Provar que há uma lacuna entre a 69 e a 70 semana,
é praticamente impossível, a não ser que se interprete toda a profecia
simbolicamente, mas nesse caso o argumento da grande tribulação cairia
por terra, já que, os últimos sete anos não seriam sete anos
literais. Mesmo que fosse provado a teoria dispensacionalista da lacuna
nas setenta semanas, o defensores precisariam ainda provar que a semana
restante é de sete anos. Pode parecer fácil provar que uma semana de
anos são sete anos, mas sete anos de qual calendário? Lunar, solar ou
lunissolar? Seria fundamental provar isso, para que a questão da
iminência se sustentasse. E por fim, uma questão de não somenos
importância, é que mesmo provando o intervalo na profecia, e que a
semana restantes é de sete anos literais, ainda restaria o problema de como
provar que a ultima semana é realmente a grande tribulação que
antecedera a vinda de Cristo? Nada é dito na profecia que no fim
da semana restante o messias voltaria, na realidade a profecia diz que
após as 62 semanas ele seria tirado (morto). Alguém, por exemplo, poderia
alegar que a ultima semana cumpriu-se na segunda guerra mundial, que
coincidentemente durou quase sete anos. O príncipe que haveria
de vir pode ser Hitler, que em certo sentido fez cessar o
sacrifício judaico com o holocausto nazista. Ou alguém poderia
encaixar a ultima semana restante em outra situação histórica. O ponto é
que, os pré-tribulacionistas, além de ter deslocado a ultima semana das
69, eles arbitrariamente afirmam que ela ficou para se cumprir sete
anos antes da volta de Jesus, mesmo sabendo que a profecia de
Daniel nada diz a respeito.
A Apostasia - Esse argumento é feito por alguns
pré-tribulacionistas na tentativa de responder a um texto que em principio
é contrario á teologia deles. 2 Tessalonicenses 2.1-4, fala que antes da
vinda de Cristo é necessário acontecer duas coisas: 1- a apostasia 2- o
aparecimento do homem do pecado. Esse texto paulino destrói dois
pressupostos pré-tribulacionistas: o da iminência, pois, claramente fala
de que coisas precisam acontecer antes; e por consequência, também refuta
a separação temporal entre arrebatamento e segunda vinda, pois o Apostolo
junta os dois eventos no primeiro versículo, quando diz: " ...Quanto a Vinda de nosso Senhor e a nossa reunião com ele..." Para tentar responder a isso, os pré-tribulacionistas usam um artificio
muito engenhoso, o de que, a palavra apostasia, na verdade é um termo que se
refere ao arrebatamento. Eles se aproveitam de um dos significados da
palavra apostasia no grego para embasar essa ideia. No grego da época do
Novo Testamento, um dos significados da palavra apostasia era: partida,
retirada. Sabendo disso os interpretes pré-tribulacionistas afirmam que a
tradução do texto poderia ser muito bem ser vertida para: " Antes que venha a partida (arrebatamento)..." Esse argumento sofre de muitos problemas:
1- Nenhum tradutor no mundo usou a palavra partida ou retirada no lugar
de apostasia. Os pré-tribulacionistas podem alegar que a palavra na
verdade não foi traduzida, mas sim mantida no seu sentido original. Isso
seria verdade se a palavra não existisse em português, mas ela existe, e
ela tem o significado de abandono ou deserção da fé. Existe ainda em
português a palavra Apostásia, que está relacionada a um tipo de planta,
porém é obvio que não tem nada haver com o assunto.
2- Mesmo sendo verdade, que apostasia tinha um significado espacial, de
sair de um lugar para outro, seu maior uso era o sentido negativo de
abandono, seja no sentido politico ou religioso. No dicionário teológico
do Novo Testamento de Gerhard Kittel, o autor diz que: " A apostasia escatológica está em questão em 2 Ts. 2.3, ou com ou
antes do homem da iniquidade". (DTNT. volume I pg.97). Curiosamente, a carta de divórcio, era chamada
de "apostasion" (Mc. 5.31); o que mostra mais um uso negativo da
palavra.
3- Além das coisas ditas acima, seria contraproducente Paulo usar um
termo que reconhecidamente tinha um sentido negativo para referir-se a um
evento positivo como o arrebatamento. No próprio contexto imediato Paulo
expande a ideia da apostasia, quando diz: " Por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na
mentira" ( 2 Ts. 2.11). O conceito de uma grande apostasia antes da volta de
Cristo é um tema recorrente nas escrituras, (1 Tm. 4.1; Mt. 24. 4-5). "Contudo quando vier o filho do homem, porventura achará fé na terra?" (Lc. 18.8).
Ida Para o Céu Primeiro - Esse argumento é baseado em Jo 14.2-3, onde Cristo, segundo a ótica pré-tribulacionista, estaria dizendo que os salvos primeiro precisam ir para o céu, para só então voltar com Cristo, no caso, sete anos anos depois. Segundo eles, uma visão pós-tribulacionista teria dificuldades em explicar esse texto, já que, se Cristo diz que nos levaria ao céu, quando ele voltasse, então em que momento isso acorreria na interpretação pós-tribulacionista? Lembrando que para os pós-tribulacionistas a segunda vinda de Cristo é uma só, e que nós não iremos para o céu, mas sim voltaremos com ele para a terra onde se dará os eventos seguintes, que varia conforme o modelo teológico adotado; por exemplo, para os pós-tribulacionistas, pré-milenistas, teremos o juízo das nações, seguido do milênio; para um amilenista, o meu caso, por exemplo, teremos o juízo final e a criação de novos céus e nova terra. Independente desses detalhes, o fato é que a igreja não irá para o céu, pelo menos não imediatamente após a vinda de Cristo, mas sim voltará para a terra.
Voltando ao texto de João, como poderíamos responder ao argumento pré-tribulacionista? Acredito que a resposta seria uma simples exegese no texto joanino. Jesus não diz que quando voltar nos levará para o céu imediatamente, ele diz que nos levaria para ele (vs. 3), para que, onde ele estiver nos estejamos com ele. Não existe uma ordem cronológica de acontecimentos no texto de João, como querem ver os pré-tribulacionistas, existem promessas que se cumprirão dentro do cronograma de Deus, e não dos pré-tribulacionistas. Como, por exemplo, dentro do sistema amilenista, podemos inserir a promessa de irmos para o céu após a vinda de Cristo? Simples, quando Jesus voltar, nós encontraremos com ele nos ares e voltaremos imediatamente para a terra; após o juízo final, haverá novos céus e nova terra, onde teremos acesso as moradas que Jesus fala no texto de João (Jo. 14.2), ou seja, quando Cristo promete nos levar para o céu, importa que isso aconteça em algum momento no futuro, mas não necessariamente logo após a sua vinda. Para ilustrar isso podemos usar o seguinte exemplo: se eu dissesse para um grupo de amigos, que estava construindo uma casa, e que depois de pronta, levaria eles para conhece-la, isso significaria que eles teriam que ir no dia seguinte depois do termino da casa? Obvio que não, eles iriam em algum momento no futuro, talvez meses ou anos depois. Muitos outros eventos poderiam acontecer entre o termino da casa e a vinda dos amigos. O mesmo vale para a promessa de Jesus, em algum momento, após a sua vinda, mas depois do juízo final e de outros eventos, nós iremos para o céu. Lembrando que a promessa de Cristo já se cumpriu para aqueles cristãos que morreram ao logo da historia e que agora estão no céu com Ele (Ap. 6.9).
Um detalhe adicional ao texto de João, é que, se os pré-tribulacionistas querem uma ordem cronológica na passagem, eles precisam responder por que Jesus ainda não voltou, pois no texto ele diz que depois que ele preparasse o lugar para os discípulos, ele voltaria para eles (Jo. 14.3). Será que as moradas ainda não estão prontas? O carpinteiro onipotente não conseguiu finaliza-las ainda? Para sair desse dilema os pré-tribulacionistas precisariam responder que Jesus não disse que voltaria imediatamente após a preparação das moradas (particularmente entendo que a preparação das moradas refere-se a obra de Cristo na cruz; ali ele preparou ou garantiu as moradas celestiais aos seus seguidores), mas que voltaria em algum momento no futuro, depois que outros eventos ocorressem, como por exemplo, a aparição do anticristo. Essa resposta, porém, seria terrível para eles, pois a ida para céu também não precisaria ser logos após a vinda de Cristo.
A Visão Unificada da Segunda Vinda de Cristo
Até agora me ocupei em mostrar a visão pré-tribulacionístas e apontar o
que considero os erros dela. Nesta parte final, quero fazer uma
síntese de tudo pela ótica amilenista. Não é comum falar em pré ou
pós-tribulacionísta, na perspéctica amilenista. A priori, todos os
amilenistas concordam que a segunda vinda de Cristo será o evento final da
historia. Portanto, com exceção do juízo final, todos os outros
eventos acontecerão antes dela, ou até mesmo juntos, como o caso do
arrebatamento e da ressurreição dos mortos. A seguir, vou expor o roteiro
amilenista acerca dos eventos finais:
1- Milênio (Ap. 20.1-6) - Na ótica amilenista que adoto aqui,( vide in
loco no blog) o milênio começou após a destruição do templo em Jerusalém
no ano 70 d.C. e vai durar até a soltura de satanás.
2- A grande tribulação - Acredito que a grande tribulação está associada
a soltura de satanás, (Ap. 20.7-10), que se dará algum tempo antes da
volta de Cristo. Diferente da visão dispensacionalista, ela não necessita
ser de sete anos, o texto de Apocalipse fala que será por pouco tempo,
(Ap. 20.3). Esse pouco tempo está relacionado ao milênio, ou seja, podemos
apenas dizer que será um período menor que os mil anos, Jesus disse que
esse tempo seria abreviado por causa dos escolhidos, (Mt. 24.22).
Lembrando que os mil anos são simbólicos, eles representam um longo
período, o pouco tempo então, indica um tempo menor que esse longo
período.
3- A segunda vinda de Cristo - Evento portentoso e final da história,
todo o olho verá, (Ap. 1.7; Mt. 24.27). O arrebatamento acontecerá no
momento da segunda vinda, (Mt. 24.31; Mc. 13.27; 1 Ts. 4.16), também
ocorrerá a ressurreição geral do mortos, (Dn. 12.2; Jo. 5.28-29; 11.24;).
A ressurreição dos justos acontecerá no mesmo dia da dos impios, a
diferença é que os justos ressuscitarão e serão arrebatados junto com os
vivos para encontrar o Senhor (1 Ts. 4.16; 1 Co. 15.52).
4- Juízo final - Imediatamente após a segunda vinda de Cristo será
estabelecido o grande trono branco do juízo final, todos serão
julgados, vivos e mortos, ( Mt. 25. 31-46; Ap. 20. 11-15; 2 Co. 5.10; Rm.
14.10; 2 Tm. 4.1).
5- Novos céus e nova terra - Fim da presente era e estabelecimento de uma
nova criação, ( 2 Pe. 2.13; Ap. 21.1).
Essa é, de forma sintética, a visão sobre os eventos finais; que acredito
pela revelação das escrituras que acontecerá. O que fica claro pela nossa
perspectiva, é que todos os eventos finais estão associados a segunda
vinda de maneira inseparável. A aparição de Jesus nos céus
desencadeará uma serie de eventos dos quais o arrebatamento dos salvos
será um deles. Um evento que pode ser trazido para ilustrar isso, foi por
ocasião da morte de Cristo descrita nos evangelhos, eles falam que houve
escuridão por três horas; o véu do santuário se rasgou; um terremoto com
pedras rachando e santos que estavam mortos ressuscitaram, (Mt.
27.45,51-53). Todos esses acontecimentos estavam associados ao evento
central que foi a crucificação de Jesus. Na ocasião da volta de Cristo,
que será o evento central, coisas vão acontecer, sendo o arrebatamento um
desses eventos, junto com a ressurreição geral dos mortos, e o juízo
final. Eles vão acontecer junto ao evento central e não separados. Os
dispensacionalistas, pré-tribulacionistas, fatiam todos os eventos finais
para encaixar no seu sistema, vejam isso abaixo:
- Segunda vinda - duas fases; arrebatamento e vinda visível;
- Arrebatamento - dois; dos crentes antes da grande tribulação e
dos salvos da grande tribulação, no fim dela;
- Ressurreição dos mortos - Três fases; dos crentes no arrebatamento,
dos salvos no fim da grande tribulação e dos impios no
juízo final;
- Juízo - Três; tribunal do galardão dos crentes, juízo da nações
e o juízo final;
- Povos - Dois; Israel e Igreja;
- Evangelho - Dois; da graça, atualmente pregado pela Igreja, e do
reino, que será pregado na grande tribulação.
Dá pra se provar qualquer coisa fazendo isso. Quando algum evento
não se encaixa com o sistema, basta separa-lo quantas vezes
necessário para conseguir a harmonia. Esse "esquartejamento", leva
mais em conta o sistema do que as escrituras. Espero que esse estudo
ajude os leitores a deixar o texto falar mais alto do que o
sistema.
" A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do
Espirito Santo sejam com todos vós". (2 Co. 13.13).
Gráfico 1 - representação gráfica da segunda vinda de Cristo na visão amilenista e os eventos
relacionados.

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