As setenta semanas de Daniel sem lacunas
O livro de Daniel já apareceu aqui no blog, quando tratamos sobre o capitulo 8, na abordagem que fizemos sobre as 2300 tardes e manhãs. Desta vez, é o capitulo 9 que receberá nossa atenção e comentário. O motivo da expressão "sem lacunas" no título, é uma pequena provocação a interpretação que predomina entre os cristãos evangélicos na atualidade. Ela basicamente afirma que entre a 69º semana e a 70º, há uma lacuna de tempo, indeterminado, que compreende a era da igreja. Segundo os proponentes da interpretação, a septuagésima semana, começará após o arrebatamento da igreja, que por sua vez, dará inicio a grande tribulação, que dentre outras coisas inclui o surgimento do anticristo. A popularidade dessa interpretação no Brasil é enorme, e também, a que mais aparece em literaturas sobre escatologia. Apesar da grande popularidade, acredito que ela não seja a melhor maneira de entender o famoso capitulo de Daniel. Este cometário vai se propor a apresentar outras possibilidades de entender o assunto, tentando ser o mais honesto possível na conclusão de acordo com os dados que temos a disposição. Se os leitores considerarem este comentário como uma possibilidade viável, já considero a tarefa como tendo sido cumprida.
1- Interpretações Judaicas - Mesmo dentro do judaísmo há diferentes maneiras de entender o texto de Daniel 9. Primeiramente, devemos dizer que, a grande diferença entre as interpretações judaicas e cristãs está na pessoa de Cristo, enquanto que a cristã, vê na profecia de Daniel uma clara alusão ao Messias, no judaísmo, porém, nem ao menos eles reconhecem o texto como messiânico. Os exegetas judaicos afirmam que o texto está falando de dois messias, (Dn.9.25-26), porém, nenhum deles tem haver com O Messias. O primeiro messias do texto, segundo alguns Rabinos, tem haver com Ciro, o Grande, rei dos persas, que possibilitou o retorno de Israel do exílio na Babilônia, para a terra santa. O segundo messias da narrativa de Daniel, aquele que o texto fala que seria cortado e não se veria mais, seria uma referência a Herodes Agripa II, o rei da Judeia, no tempo em que o segundo templo foi destruído no ano 70 d.C. Uma segunda interpretação judaica, afirma que o segundo ungido da profecia seria uma referência a Onias III , que foi o ultimo Sumo Sacerdote da linhagem de Arão, e que foi assassinado por volta de 171 a.C. (2 Macabeus 4.30-35). Percebam, que mesmo na interpretação judaica, existe uma diferença grande na interpretação, especialmente no que diz respeito, a quem seria o segundo ungido da profecia. Uma acredita que a profecia cumpriu-se na era cristã, e a outra acredita que ela se cumpriu na era dos macabeus. Essa diferenças de opiniões tem haver na maneira de se entender algumas expressões do texto. Muitos cristãos adotam a interpretação judaica, especialmente aquela que vê o cumprimento no período de Antíoco Epifanio.
2- Interpretações Cristãs - Na teologia cristã, temos basicamente duas formas de entender o texto de Daniel 9. A interpretação dispensacionalista e a tradicional. A interpretação dispensacionalista é aquela que motivou o título deste comentário, e aquela, que na minha opinião, a que mais destoa da realidade. A leitura dispensacionalista entende que as 70 semanas (490 anos), são divididas em três blocos: 7 semanas - 62 semanas - 1 semana. Segundo os dispensacionalistas, 483 anos da profecia já se cumpriram, restando os últimos 7 anos, que são precisamente a septuagésima semana da profecia. Essa ultima semana está em suspense, segundo os proponentes da doutrina, pois, ela só vai começar a contar após o arrebatamento da Igreja. Assim sendo, a presente era, é um hiato nos 490 anos. Colocando de outro modo, a ultima semana da profecia, isto é, os sete anos, são exatamente a grande tribulação que vai ocorrer após a partida da igreja. Uma outra forma de entender esse texto sagrado dentro da visão cristã, é a tradicional. As igreja históricas reformadas e também alguns teólogos católicos (outros católicos adotam a interpretação judaica de Antíoco Epifanio), interpretam as setenta semanas como tendo se cumprido na primeira vinda de Cristo. Este comentário adota a interpretação tradicional, como algumas l modificações. Basicamente, a leitura tradicional entende que os 490 anos da profecia começam pela ordem de edificar Jerusalém, e vai até a morte de Cristo. Vamos detalhar isso mais à frente.
A historia de interpretação das setenta semanas de Daniel
Como é de costume, todo texto bíblico que é de difícil interpretação, possui varias abordagens e leituras. O capitulo do livro de Daniel onde está inserida as setenta semanas é um desses textos. Semelhantemente ao capitulo 8, diversas interpretações foram dadas na tentativa de esclarecer o texto, vamos ver as principais aqui. O livro de Daniel está presente no cânon hebraico bem como no cristão, apenas mudando a ordem em que um e outro o colocam em seus respectivos cânones. No hebraico, ele está localizado na terceira parte da tríplice divisão da Bíblia judaica, chamada de escritos (ketuvim), já na Bíblia cristã, ele está colocado na divisão dos profetas maiores. O fato de estar tanto no cânon judaico como cristão, é importante no sentido de que, qualquer interpretação que dermos sobre as setenta semanas, precisam levar em consideração o que as duas religiões falam acerca do assunto. Não seria honesto apresentar aqui somente as opiniões cristãs sobre o tema, sem também olhar, o que os primeiros receptores da mensagem entenderam sobre a mesma. Vamos então colocar as interpretações que o judaísmo e o cristianismo dão sobre as setenta semanas.1- Interpretações Judaicas - Mesmo dentro do judaísmo há diferentes maneiras de entender o texto de Daniel 9. Primeiramente, devemos dizer que, a grande diferença entre as interpretações judaicas e cristãs está na pessoa de Cristo, enquanto que a cristã, vê na profecia de Daniel uma clara alusão ao Messias, no judaísmo, porém, nem ao menos eles reconhecem o texto como messiânico. Os exegetas judaicos afirmam que o texto está falando de dois messias, (Dn.9.25-26), porém, nenhum deles tem haver com O Messias. O primeiro messias do texto, segundo alguns Rabinos, tem haver com Ciro, o Grande, rei dos persas, que possibilitou o retorno de Israel do exílio na Babilônia, para a terra santa. O segundo messias da narrativa de Daniel, aquele que o texto fala que seria cortado e não se veria mais, seria uma referência a Herodes Agripa II, o rei da Judeia, no tempo em que o segundo templo foi destruído no ano 70 d.C. Uma segunda interpretação judaica, afirma que o segundo ungido da profecia seria uma referência a Onias III , que foi o ultimo Sumo Sacerdote da linhagem de Arão, e que foi assassinado por volta de 171 a.C. (2 Macabeus 4.30-35). Percebam, que mesmo na interpretação judaica, existe uma diferença grande na interpretação, especialmente no que diz respeito, a quem seria o segundo ungido da profecia. Uma acredita que a profecia cumpriu-se na era cristã, e a outra acredita que ela se cumpriu na era dos macabeus. Essa diferenças de opiniões tem haver na maneira de se entender algumas expressões do texto. Muitos cristãos adotam a interpretação judaica, especialmente aquela que vê o cumprimento no período de Antíoco Epifanio.
2- Interpretações Cristãs - Na teologia cristã, temos basicamente duas formas de entender o texto de Daniel 9. A interpretação dispensacionalista e a tradicional. A interpretação dispensacionalista é aquela que motivou o título deste comentário, e aquela, que na minha opinião, a que mais destoa da realidade. A leitura dispensacionalista entende que as 70 semanas (490 anos), são divididas em três blocos: 7 semanas - 62 semanas - 1 semana. Segundo os dispensacionalistas, 483 anos da profecia já se cumpriram, restando os últimos 7 anos, que são precisamente a septuagésima semana da profecia. Essa ultima semana está em suspense, segundo os proponentes da doutrina, pois, ela só vai começar a contar após o arrebatamento da Igreja. Assim sendo, a presente era, é um hiato nos 490 anos. Colocando de outro modo, a ultima semana da profecia, isto é, os sete anos, são exatamente a grande tribulação que vai ocorrer após a partida da igreja. Uma outra forma de entender esse texto sagrado dentro da visão cristã, é a tradicional. As igreja históricas reformadas e também alguns teólogos católicos (outros católicos adotam a interpretação judaica de Antíoco Epifanio), interpretam as setenta semanas como tendo se cumprido na primeira vinda de Cristo. Este comentário adota a interpretação tradicional, como algumas l modificações. Basicamente, a leitura tradicional entende que os 490 anos da profecia começam pela ordem de edificar Jerusalém, e vai até a morte de Cristo. Vamos detalhar isso mais à frente.
Comparando as possibilidades
Como abordamos antes, as interpretações judaicas de Daniel 9, evitam de todas as formas identificar o messias da passagem como sendo uma referência ao Messias esperado por eles até hoje. Reconhecer o personagem do relato como o Messias, obviamente, faria com que o Judaísmo tivesse que aceitar Cristo como única pessoa capaz de cumprir a profecia. Particularmente, não vejo problemas com a interpretação judaica do ponto de vista exegético, haja visto, que muitos cristãos adotam posições bem similares. Alias, o Cristianismo não depende desse texto para identificar Cristo como o Messias prometido, mesmo que ele não esteja realmente falando de Cristo, isso não vai mudar em nada nossa fé no Salvador que é apresentado no Novo Testamento. No próprio livro de Daniel há outras passagens que deixam isso muito mais claro, como por exemplo, Daniel 7. 13-14: " E eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao Ancião de dias, e foi apresentado diante dele. E foi lhe dado domínio, e gloria, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído". Esse texto, só faltou dizer que o nome do personagem, que ele chama de "o filho do homem", seria Jesus, pois no mais, a relação com o personagem conhecido no Novo Testamento é direta. O próprio Jesus atribui a si a ideia de filho do homem que viria nas nuvens do céu. (Mc. 14.62). O filho do homem de Daniel 7, é a pedra que foi cortada sem auxilio de mãos do capitulo 2.44-45. Lá também diz que Deus suscitará um reino sem fim. Lembrando que ambas as visões descrevem quatro reinos que surgiriam na historia, e em ambas visões, esses reinos seriam seguidos por um reino celestial, que em Daniel 2 é descrito como a rocha cortada sem auxilio humano, a "Pedra que os construtores rejeitaram" (1 Pe 2.7), e em em Daniel 7, como o filho do homem que recebeu o domínio eterno. Posto isso, a interpretação que adoto aqui, não tenta forçar o cumprimento da profecia em Cristo a fórceps. Reconheço que o texto é muito difícil, mesmo para peritos na língua hebraica, porém, tenho minhas razões para acreditar que Cristo está contemplado na passagem e que ele é a chave para entender este texto. Primeiramente, antes de chegar até a definição de quem é o messias do texto, vamos tratar por eliminação as possibilidades que temos. Aqueles que acreditam que a passagem tem seu cumprimento na época dos macabeus, e de que o messias que foi cortado refere-se a Onias III, tem a grande dificuldade de responder ao fato de que o texto claramente fala que logo após a morte do ungido a cidade e o templo de Jerusalém seriam destruídos, conforme é dito em Daniel 9.26. Sabemos que o templo não foi destruído na época dos macabeus, mas sim, profanado por Antíoco Epifanio. Neste caso, a não ser que se entenda a palavra "destruir" ali como significando "profanar", ou algo semelhante, o texto de forma clara parece apontar para uma data bem posterior á época de Antíoco Epifanio. Assim sendo, esse fato elimina a possibilidade de que o ungido seja Onias III. neste caso, restariam ainda a possibilidade de que o ungido que foi cortado seja Herodes Agripa II, o Rei da Judeia na época que o templo foi destruído no ano 70 d.C. Sabemos pela historia, que Herodes Agripa II não morreu na destruição de Jerusalém, ele viria a morrer muito tempo depois por volta do ano 93-94 d.C. Portanto, ele próprio não pode ser o ungido da profecia. Porém, é verdade que quem defende essa hipótese, afirma que o ungido na realidade refere-se ao Sumo Sacerdote á época da destruição do templo. Segundo a historia, quem ocupava o cargo de Sumo-Sacerdote quando o templo foi destruído era um homem chamado Fanias ben Samuel, este sim, morreu por ocasião da destruição do templo pelos romanos, e foi o ultimo Sumo-Sacerdote. Diante desse fato, temos um candidato em potencial a ser o personagem que cumpra a profecia de Daniel. Lembrando que os defensores desta interpretação, acreditam que a profecia fala de dois messias, o primeiro, que foi Ciro o grande que foi responsável pelo retorno de Israel á sua terra, e o segundo, seria o que na profecia de Daniel é chamado: "aquele que seria cortado" . Segundo os exegetas judaicos a expressão, "cortado", tem uma conotação negativa, refere-se a alguém indigno, que mereceu o castigo. Nesse ponto, o Sumo Sacerdote da época, Fanias Ben Samuel, encaixa-se bem, já que, ele tornou-se Sumo Sacerdote por meios suspeitos (segundo a Jewish Virtual Library, ele chegou ao cargo pela pratica de lançar sortes, e não por meio da origem familiar. Além disso, Flávio Josefo escreveu que ele mal sabia o que era ser sumo sacerdote). O grande problemas que vejo para que ele seja o personagem da profecia de Daniel, está justamente no fato de que, primeiramente, a profecia refira-se a ele como ungido, e logo em seguida, dizer que ele foi cortado, referindo-se a alguém indigno, e que precisou ser extirpado. Ok, alguém pode dizer que aconteceu ao longo da historia, muitos ungidos se corromperam e acabaram sendo cortados, como por exemplo, alguns reis que a Bíblia menciona, como: Saul, Manassés, Amom e outros. No caso de Fanias ben Samuel, o problema que ele na verdade não era nem ungido de verdade, já que ele chegou no cargo por meios não lícitos e aprovados para tal. Logo, seria muito estranho ele figurar como ungido em uma profecia tão importante, sem nem sequer ser de fato um ungido. Ele pode ter tido o cargo de Sumo Sacerdote na época da destruição do templo, porém, do ponto de vista divino ele não era um ungido. Alguém ainda poderia argumentar que Ciro é chamado de ungido na Bíblia e nem judeu ele era. Porém, é preciso reconhecer que ele recebeu esse titulo na escrituras, por causa da obra que ele realizou em favor do povo de Deus, concedendo a liberdade para que eles retornassem á terra santa. Agora, por qual razão a Bíblia chamaria alguém como o Sumo sacerdote mencionado, como ungido? Isso seria contraditório, pois, teríamos que admitir que o termo ungido estaria sendo usado em dois sentido diferentes, um para Ciro, de forma positiva, e outra negativa, para o sumo sacerdote Fanias. Acredito, portanto, que essa interpretação não é uma boa opção para entender o texto de Daniel.
Em virtude dos fatos descritos acima, nos resta a possibilidade de que o Messias da profecia de Daniel, seja de fato o maravilhoso personagem que o mundo conhece como Jesus Cristo. Este comentário admite porém, que existe pontos difíceis em relação a identificação da profecia em relação a Cristo, contudo, acredito que esses pontos podem ser mais facilmente superados, do que o das outras interpretações apresentadas anteriormente. Uma das criticas que são feitas em relação a interpretação cristã, é de que a palavra messias usada por Daniel, nunca é usada em relação ao Messias prometido. Segundo esses críticos, a palavra seria usada para referir-se somente aos Sumo-Sacerdote, Reis ou alguém designado por Deus, como por exemplo, Ciro. Só nessa ultima frase: "alguém designado por Deus", nos já poderíamos incluir Cristo na profecia de Daniel, pois, mesmo um judeu ultraortodoxo, que nega Cristo como messias, não pode negar a importância dele na historia da humanidade. No minimo, alguém que nega Jesus como Messias, teria que reconhecer nele a ideia de um messias, de alguém designado por Deus para realizar uma missão. Se o judaísmo aceita sem contestação a ideia de Ciro como messias, pelo fato dele ter sido o responsável pelo retorno de Israel à sua terra, não seria também coerente aceitar Cristo como alguém "ungido" para realizar uma tarefa não só para uma nação, como fez Ciro, mas, para toda a humanidade. Portanto, o argumento do uso da palavra messias ao longo das escrituras não se constitui em algo forte o suficiente para eliminar Cristo como personagem da profecia de Daniel. Um outro argumento contra a posição cristã, seria que a a frase "Será cortado o ungido", daria a ideia de alguém indigno, que sofreu um castigo merecido. A palavra cortado, segundo os interpretes, em hebraico, é a palavra "karath", teria o sentido de alguém que foi extirpado por causa de uma séria transgressão. Esse é um argumento de alguns exegetas judaicos, não de todos, pois, como vimos anteriormente, muitos outros mestres judaicos interpretam a profecia aplicando a Onias III, no tempo da guerra dos macabeus. Pelo que sabemos, pela historia, Onias III foi assassinado injustamente e que ele era um homem piedoso, portanto, essa interpretação sofre problema dentro do próprio judaísmo, pois outros mestres em hebraico tem uma outra interpretação da palavra "cortado". Mesmo assim, devemos dizer que, mesmo que o texto esteja afirmando que o messias seria cortado nesse sentido negativo, poderíamos dizer que, o Novo Testamento claramente afirma que Jesus seria contado entre os transgressores, (Mc. 15.28 citando Is. 53.12), Paulo ainda diz que ele foi feito: "Maldição por nós", (Gl. 3.13). A ideia cristã é que Cristo assumiu uma culpa que não era sua, por isso, ele foi considerado um transgressor, mesmo que na verdade ele não fosse, e acabou morrendo como um. Lembrando que essa é uma ideia que existe mesmo dentro do judaísmo, pois, o texto citado de Isaías 53.12; que o judaísmo interpreta como se aplicando aos piedosos da nação que foram contados como transgressores, mas não eram, contempla essa ideia de alguém que se faz pecador para beneficio de outros. Voltando então ao argumento, a profecia de Daniel pode estar considerando essa ideia, de que o messias foi morto como um transgressor, por causa da injustiça humana e não por uma culpa real.
Uma terceira objeção a Cristo como cumprimento da profecia de Daniel, é de que o texto fala que o ungido seria morto e não sobraria nada dele, (Dn. 9.26), ou seja, se o texto está realmente dizendo isso, o cristianismo teria um problema em relação a obra que Jesus deixou, e também sobre sua ressurreição. Acredito que esse suposto problema está nas traduções, para provar isso, quero citar uma tradução judaica que mostra que mesmo eles entendem essa expressão diferente: " E depois dos 62 períodos será abatido o ungido e não haverá outro..." (Biblia Hebraica, David Gorodovits). Essa citação é de uma obra judaica, sem nenhuma influência cristã, e ela traduz a expressão como: "Não haverá outro", que é uma expressão bem diferente de "Não restará nada dele", ou seja, mesmo os especialistas no idioma hebraico, discordam entre si sobre a tradução correta da expressão do original. Para nós cristãos essa tradução: "Não haverá outro", é perfeita, pois, pará nos, realmente depois de Cristo não houve e não haverá outro Messias. Para terminar, precisamos superar ainda uma dificuldade apresentada pelo críticos, é sobre a questão da ultima semana, pois, se Cristo morreu na metade da ultima semana, e isso aconteceu por volta do ano 30 d.C. como entender então a destruição do templo que aconteceu 40 anos depois? Essa questão, talvez seja a mais difícil em relação a interpretação tradicional cristã, não em relação a dispensacionalista, já que eles entedem que a ultima semana ainda não se cumpriu. Por causa, disso vou tratar dessa questão na seção seguinte, pois, ela envolve o debate interno no cristianismo em relação a interpretação dessa grandiosa profecia de Daniel.
Interpretação Dispensacionalista e Tradicional
Vamos trazer a discussão agora para a seara interna. Temos dentro do cristianismo duas grandes correntes interpretativas da passagem de Daniel 9. Uma delas, é a já mencionada aqui interpretação dispensacionalista. Ela concorda que as setenta semanas de Daniel são messiânicas, porém, seus proponentes afirmam que 69 semanas já se cumpriram e a ultima semana aguarda um cumprimento futuro que será desencadeada após o arrebatamento da Igreja. A outra interpretação é a tradicional, que declara que na verdade, as setenta semanas se esgotaram totalmente em Cristo. Indo direto ao assunto, acredito que a interpretação dispensacionalista é a mais improvável, pois, claramente ela é uma interpretação que leva mais em conta a adequação ao sistema do que com a exegese bíblica. Desconectar a ultima semana das outras 69, é a deixa para criar todo o cenário para o arrebatamento pré-tribulacional por exemplo. O problema disso é que não há nada no texto que sugira um intervalo entre a 69 e a 70 semana. O único jeito de ver um intervalo no texto, é trata-lo simbolicamente, o que é uma possibilidade, porém, isso implodiria o próprio sistema dispensacionalista, que tem como uma de suas bases a interpretação literal. Mesmo interpretando o texto simbolicamente, é muito difícil ver uma pausa ali. Um dos argumentos dispensacionalistas é o que Jesus fala no sermão escatológico sobre o abominável da desolação em Mt 24.15. A lógica seria a seguinte, já que Jesus esta aplicando a passagem de Daniel a algo futuro em relação ao seu tempo, teríamos então, justificada a lacuna. Esse argumento, porém, falha pois, desconsidera injustificavelmente os acontecimentos do ano 70 d.C. quando Jerusalém foi destruída e o templo igualmente. Ou seja, mesmo que alguém queira ver uma pausa entre a 69 e a 70, ele teria que ser de cerca de 35 anos entre a morte de Cristo e a destruição do templo, e não em mais de 2000 anos.
Um outro argumento dispensacionalista para justificar a pausa, é de que o Anjo Gabriel afirma que a profecia seria para o povo e para a cidade de Daniel. Esse argumento é justamento para poder afirmar que, após a morte de Cristo, entramos na era da Igreja; a era de Israel portanto, entrou em uma pausa aguardando o termino da era da igreja que se dará no arrebatamento. Esse argumento é problemático dentro de uma interpretação messiânica do texto, pois, se realmente as setenta semanas tem só a ver com Israel, então, a obra do messias da qual Daniel fala, teria a ver só com eles, ou seja, Jesus teria morrido somente para beneficio dos judeus e não por todos os povos. Nesse caso, o judaísmo então estaria certo em considerar que o messias da passagem não se refere a Cristo, porém, como já vimos, temos convicção que o Messias que foi cortado, é realmente Cristo. A palavra do Anjo pode ser entendida no sentido de que as setenta semanas se desenrolariam entre os judeus, porém, os efeitos dela seriam para toda a humanidade. Uma outra questão relacionado a isso, é que não é necessário jogar a última semana para um futuro longínquo para justificar a ideia que ela tem a ver só com Israel, já que todos os eventos relacionados a morte de Cristo aconteceram em Israel. Assim sendo, a interpretação dispensacionalista do parêntesis ou pausa nas setenta semanas é inconsistente do ponto de vista exegético.
Outros problemas com a visão dispensacionalista: sobre a interpretação que eles dão sobre a expressão: "Ele firmará aliança com muitos..." (Dn. 9.27). Segundo os dispensacionalistas "Ele", refere-se ao anticristo, que fará um pacto com a nação de Israel durante os sete anos da grande tribulação, e no meio dela vai se voltar contra os judeus, e persegui-los. O grande problema dessa leitura, é que ela gera uma contradição dentro do próprio texto. Veja, a narrativa diz que "Ele", fará uma firme aliança com muitos, os especialistas em hebraico afirmam que a expressão, "firme", (hb. Gabar), significa: fortalecer, confirmar (comp. Zc. 10.6,12; Is. 9.6 Deus Forte El Gibbor é uma derivação de Gabar). Agora notem, que se "Ele" estiver referindo-se ao anticristo, então temos um problema, pois, como podemos chamar de firme aliança, algo que vai ser quebrada 3,5 depois? A suposta aliança que o anticristo fará com os judeus é tudo menos firme ou forte, pois, ele vai quebrar alguns anos depois. Agora se entendermos que a firme aliança é aquela que Cristo realizou na cruz, então o texto faz todo o sentido, pois o pacto que Jesus fez com a igreja é firme e eterno. Interessante, é que após falar da firma aliança, o anjo Gabriel diz que, "Ele", fará cessar o sacrifício de manjares, ou seja, a consequência da firma aliança, faria com que o sistema levítico de sacrifícios encontra-se seu fim, pois, o verdadeiro e pleno sacrifício seria realizado: "... Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós" (Lc. 22.20).
Outro detalhe, se "Ele" é o anticristo, e o povo do principe que destroi a cidade (Dn 9.26) é o imperio romano do tempo de Cristo, então, o povo e seu principe estão separados por 2000 anos no minimo. Agora faz sentido isso, será que Daniel entendeu que um povo destruiria a cidade, e 2000 anos depois ou mais, um principe desse povo, que nem existe mais, apareceria e faria as coisas do vers. 27? Os dispensacionalistas ainda dizem, que a ultima semana será a semana final antes da volta de Cristo, porém não há nada no texto que indique o retorno do messias, isso é um acrescimo injustificável. Outro problema, os dispensacionalistas dizem que há duas construções do templo mencionado na profecia, a primeira, no tempo de Zorobabel, alguns séculos antes de Cristo, e outra contrução, poucos anos antes da volta de Jesus, porém o texto fala de uma só construção, aquela mencionada no verso 25, alias, se na ultima semana um novo templo vai ser construído, é muito estranho isso não estar explicito no texto, já que o templo é parte central da religião judaica, seria mais coerente a profecia mencionar a construção do templo, como marcando o inicio da ultima semana, do que falar da suposta aliança entre o anticristo e Israel. Lembrando que o templo que foi destruído no ano 70 é basicamente o mesmo que foi construído no tempo de Zorobabel; ele passou por uma grande reforma no tempo de Herodes, mas era o mesmo templo, e isso combina com o texto que fala em um templo, o que é destruído no vers. 26.
Deixei por último a interpretação tradicional, porque, acredito que de todas, ela é àquela que tem mais pontos positivos em relação as outras, por isso é a posição que adoto neste comentário junto com meu entendimento pessoal. Em primeiro lugar, ela é uma interpretação messiânica, ou seja, ela interpreta o Messias da passagem como uma referência a Jesus Cristo. Diferentemente da posição dispensacionalista, que também é messiânica, ela acredita que o cumprimento total dela se deu no primeiro século da nossa era, não sobrando nenhuma semana remanescente tendo que se cumprir no futuro. Em segundo lugar, dentro desta interpretação, as setenta semanas são vistas de forma esquemática e não cronológica. Esclarecendo isso melhor, a ideia é que os acontecimentos preditos pelo Anjo, são mais importantes que o tempo. Não há necessidade de se marcar inicio para contagem das setenta semanas, e sim para ver que Deus determinou que alguns eventos aconteceriam dentro de um período, (chamado de setenta semanas ou setenta períodos, hb. shavuim ), que se iniciariam na reconstrução de Jerusalém e do templo, e iriam até a sua destruição pelos romanos, muitos séculos depois. Esse ciclo completo é chamado de setenta semanas, mas percebam que do ponto de vista cronológico, temos muito mais tempo do que 490 anos, dependendo de quando começamos a contar as 70 semanas. Obviamente que este método faz com que vejamos as setenta semanas de maneira não literal, porém, a pergunta a seguir seria: qual o problema de entendermos as setenta semanas de forma simbólica? O profeta Ezequiel usou um número simbólico quando referiu-se ao cativeiro babilônico, 40 anos, (Ez. 4.6), porém, sabemos que o número exato de cativeiro foi de setenta anos (Dn. 9.2; Jr. 25.11-12), provavelmente, Ezequiel usou o número 40 para compara-lo ao "exílio" de Israel no deserto por 40 anos, mas, reconheço que isso é uma possibilidade e não uma certeza. A maior prova que vejo para entender o número 70 simbolicamente, é que nenhum cálculo fecha exatamente com 490 anos, em todos eles é preciso fazer algum remanejamento para conseguir encaixar na historia. Isso acontece exatamente porque nos preocupamos demais com números e esquecemos o conteúdo da profecia. É conveniente lembrar que 70 é um numero extremamente significativo nas escrituras, Jesus por exemplo fala que devemos perdoar as pessoas 70 x 7, (Mt. 18.21-22), o que obviamente, não significa que 490 é o máximo que devemos perdoar, mas, sim que devemos perdoar quantas vezes for necessário. Temos dentro de 70 semanas, 70 anos sabáticos que eram o período que a terra deveria descansar após ter trabalhado durante 6 anos. Ainda dentro das 70 semanas temos 10 jubileus, que eram o período de libertação total de escravos, de devolução de terras, perdão de divida; que aconteciam após 49 anos. Em relação ao ano sabático é importante citar que o profeta Jeremias anuncia que um dos motivos do cativeiro babilônico de 70 anos, era para que a terra desfruta-se dos seus anos sabáticos. (2 Cr. 36.21). Portanto, temos razões suficientes para entender as setenta semanas, como um padrão divino para marcar importantes acontecimentos, dos quais o surgimento do Messias é o mais significativo, pois, é através dele que os seis propósitos anunciados pelo anjo vieram a se concretizar, são eles:
- Cessar a transgressão;
- Dar fim aos pecados;
- Expiar a iniquidade;
- Trazer a justiça eterna;
- Selar a visão e a profecia;
- Ungir o Santo dos Santos.
A morte de Cristo, o ungido, foi o grande e definitivo jubileu para todos os que creem, pois, assim como aquela data trazia libertação e perdão a todos que faziam parte da aliança, assim também, Cristo; traz o perdão a todos que fazem parte da nova aliança. Interessante que as setenta semanas começam com a reconstrução do templo e terminam com a destruição dele, sim, pois, entre um evento e outro, temos o surgimento do templo eterno, que é o próprio Messias, Jesus disse que ele era maior que o templo, (Mt.12.6), também disse, que destruiria o templo e reconstruiria em três dias, (Jo.2.19), o templo, ele mesmo explica que era o seu corpo, que seria morto, mas, depois de três dias ressurgiria para nunca mais morrer. Assim sendo, dentro das setenta semanas temos o período completo para a instauração da nova aliança, cujo templo agora, é o próprio Deus homem, que foi ungido no batismo, pelo Espirito eterno. Não há mais necessidade do templo terreno, pois, ele era a sombra que prefigurava o que é eterno, (Hb. 10.1). A seguir vou detalhar mais como entendo as setenta semanas.
1- As setenta semanas devem ser entendidas de forma esquemática e não cronológica. Explicando isso melhor, entendo que as setenta semanas representam um período completo onde importantes eventos iriam acontecer, porém, acredito que o número 70 não precisa ser entendido literalmente, mas sim, como um número simbólico que quer dar ideia de um processo completo e perfeito. Deus iria "trabalhar" (por isso a palavra semanas), para realizar seu perfeito plano para Israel, e consequentemente para o resto da humanidade,"Fará firme aliança com muitos". Detalhando um pouco mais isso, quando digo que as setenta semanas são simbólicas, quero dizer que ela não tem uma correspondência matemática exata, ou seja, 70 semanas não é igual a 490 anos, que é a conversão que normalmente se faz. Deus estabeleceu 70 períodos onde acontecimentos se desenrolariam, porém, esses períodos não precisam ter correspondência exata com números reais.
2- A tríplice divisão das setenta semanas revelam uma ordem dentro do esquema. Talvez isso seja confuso, porém percebam que na verdade não é. O anjo diz que as setenta semanas seriam divididas em três partes: 7 semanas - 62 semanas - 1 semana. Dentro do primeiro grupo, ou seja, 7 semanas, ele anuncia dois eventos: ordem para reconstruir Jerusalém e o aparecimento do Messias. Dentro das 62 semanas ela fala na reconstrução propriamente dita, mas em tempos angustiantes; após o termino das 62 semanas o ungido seria tirado. Resta a ultima semana que é um detalhamento do que ele disse após o termino das 62 semanas. Ele (o Messias) faria uma aliança forte com muitos, no meio dela, por meio da sua morte sacrificial, poria fim ao sistema levítico de sacrifícios. Ainda dentro da ultima semana, um príncipe e seu povo (os romanos), destruiriam a cidade e o templo, selando de vez o fim de uma era.
Detalhamento da tríplice divisão
Agora, porque entendo que os eventos foram colocados nessa ordem referida, não devendo ser entendida em uma ordem cronológica de acontecimentos. A razão disso tem a haver com o simbolismo do número 70, quando dividido em três partes. A primeira divisão fala em sete semanas, que em números reais seria 49 anos. Agora recordado o que disse lá atrás, sete semanas lembram o ano de Jubileu, que acontecia após 49 anos (sete semanas de anos, Lv. 25.8). Nele todos os escravos eram libertos e podiam retomar suas possessões originais. O Anjo fala que durante esse período de 7 semanas, sairia a ordem para reconstruir Jerusalem e o Messias apareceria. Agora notem o significado incrível disso com o ano de Jubileu. Jerusalém seria devolvida para o seu povo, conforme a ideia do Jubileu que dizia que a propriedade voltava para o seu dono (curiosamente a palavra usada no hebraico para reconstruir é Shub, palavra que significa devolver para seu dono p.e.1 Rs 20.34). O plus desse período, que além da devolução de Jerusalém, o Messias surgiria. Alguém certamente vai se perguntar que Jesus apareceu alguns seculos depois da reconstrução de Jerusalém, como então os dois eventos são colocados no mesmo período? Lembrem o que escrevi, que não existe ordem cronológica nas setenta semanas, mas sim ordem esquemática. Os dois eventos são colocados juntos porque eles estão dentro do período de 7 semanas, que representam o Jubileu, Jerusalem volta para seus donos e o Messias garante a liberdade a todos os escravos "Se, pois, o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres", (Jo. 8.36). Agora a segunda divisão, as 62 semanas, falam na reconstrução de Jerusalém e do templo, mas com dificuldades. Muitos autores juntam as sete semanas com as sessenta e duas, para ter o numero sessenta e nove, porém, o texto trata delas separadamente e assim as entendo.
As sessenta e duas semanas falam de um longo período, e isso, é associado a um tempo de angustias, que terminaria com a morte do Messias. Ou seja, após as bençãos do Jubileu, seguiria um período longo e trabalhoso, que no fim teria seu momento mais triste, com a perca do Messias. Terminando, temos a ultima semana, nela o Anjo diz: "Ele fará firme aliança com muitos por uma semana". Não é necessário falar aqui sobre o significado de uma semana na Bíblia, simplesmente a Bíblia começa em Gênesis falando do trabalho de Deus na semana da criação. No caso da ultima semana da mensagem de Daniel, temos a descrição do trabalho final de Deus levando a efeito seus eternos e perfeitos propósitos. Nela, o Messias aparece novamente após o período de angustia das 62 semanas para consolidar o plano do Eterno. Por que associo "Ele" do versículo 27, com o Messias que foi cortado do versículo 26? Porque o texto fala que o Messias seria cortado, após as sessenta e duas semanas, logo, isso coloca ele dentro da ultima semana, fazendo com que ele seja o personagem que faz a firme aliança com muitos. Analisando assim, entendo que a primeira parte da ultima semana, refere-se a todo o período da vida de Cristo, desde seu nascimento, até sua ascensão aos céus ressurreto. A ultima metade da semana que o texto não explicita, porém, deixa subtendido na expressão "firme aliança por uma semana", fala da destruição de Jerusalém e do templo, que está descrito nas frases dita pelo Anjo: "O povo de um príncipe que há de vir, destruirá a cidade e o santuário...". Após o Messias ter instaurado a nova aliança no seu sangue, (Lc. 22.20), Não há mais espaço para o templo e seu fim é inevitável "Não ficou pedra sobre pedra", (Mt. 24.2). A partir de então, o verdadeiros adoradores não mais precisam de templo, (Jo 4.21), pois eles próprios são pedras vivas, (1 Pe. 2.5), e templo do Espirito Santo, (1 Co. 6.19).
Para apoiar a ideia que a ultima metade da semana refere-se aos eventos que culminaram na destruição de Jerusalém e do templo, temos o testemunho de Apocalipse, que descreve esses três anos e meio de três formas: 42 meses, Ap. 11.2; 1260 dias, Ap. 11.3; um tempo, dois tempos e metade de um tempo, Ap. 12.14. No texto de Apocalipse 11.1-2 O templo é medido e é dito que Jerusalém seria pisada pelos gentios, o que aconteceu na destruição do templo. Além disso, temos a famosa expressão de Jesus, quando ele diz: " Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação da desolação, predita pelo profeta Daniel (quem lê entenda)", (Mt. 24.15). Jesus está falando exatamente da meia semana final da profecia de Daniel, quando Jerusalém e o templo foram profanados pelos romanos. A pergunta que novamente pode surgir é que, do tempo de Jesus até a destruição de Jerusalém, temos muito mais de sete anos que fala o texto de Daniel, mas lembrem sempre, que os números tem um caráter ideal e não aritmético, tanto as outras duas divisões das setenta semanas, como a última, de sete anos, falam de números simbólicos extremamente significativos conforme já comentamos. Em nossa abordagem, os números são simbólicos, porém, os eventos não. Todos eles aconteceram e a historia esta ai para confirmar. Apesar do caráter mais preterista da nossa abordagem, acredito que existe aspectos que se aplicam a toda a historia. O próprio texto fala em: "...Até o fim haverá guerra..." (Dn. 9.26), e guerra é algo que tem acontecido ao longo de toda a historia. Porém, isso é bem diferente da abordagem dispensacionalista que sustenta a ideia de que a última semana ainda está reservada para o futuro.
Concluímos então com a esperança que este comentário possa ajudar muitos a esclarecer o significado deste importante capitulo do livro de Daniel. Desejando que quando vier o que é perfeito,(1 Co.13.10), possamos definitivamente entender plenamente toda a revelação de Deus contida na sua palavra.

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